Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Noruega tenta voltar à rotina apesar dos falsos alarmes de novos atentados

O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, disse nesta quarta-feira que a Noruega não seria intimidada pelo ataque a bomba e o massacre a tiros de sexta-feira, afirmando ter sido uma "tragédia nacional".

Quarta, 27 de Julho de 2011 às 08:06, por: CdB
jensstoltenberg-223x300.jpg
O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, disse nesta quarta-feira que a Noruega não seria intimidada pelo ataque a bomba e o massacre a tiros de sexta-feira, afirmando ter sido uma "tragédia nacional". – Não seremos intimidados por esses ataques – disse a jornalistas. O premiê afirmou, ainda, que a resposta à violência seria maior abertura e democracia. Nesta manhã, porém, os noruegueses tentavam retomar sua rotina depois do massacre provocado por um fanático de ultradireita, mas um alerta de segurança causou a desocupação da estação rodoferroviária de Oslo, reavivando o trauma. A chefe do serviço de inteligência doméstica do país disse acreditar que Anders Behring Breivik agiu sozinho para cometer a morte de 76 pessoas num atentado a bomba e numa chacina armada, e contestou a tese de insanidade apresentada pelo advogado dele. A estação central de Oslo foi desocupada por causa de uma mala suspeita encontrada em um ônibus, e todos os serviços de trens e ônibus foram suspensos. Carros de polícia, caminhões de bombeiros e ambulâncias cercaram a estação, mas a polícia disse que o volume era inofensivo. – Não foi encontrado nada de interesse – disse o superintendente policial Tore Barstad a jornalistas. Em outro falso alarme, a polícia inicialmente disse que estava em busca de um homem ligado a Breivik, mas depois esclareceu que o procurado era uma pessoa perturbada, sem relação com o assassino. Uma ministra fez um retorno simbólico ao bairro de Oslo que concentra órgãos públicos e onde na sexta-feira Breivik detonou uma poderosa bomba caseira que matou oito pessoas. A bomba abriu um buraco no local de trabalho de Stoltenberg, que provisoriamente passará a despachar no Ministério da Defesa, que fica em outro bairro. As reuniões ministeriais serão em uma fortaleza medieval à beira-mar. Não ficou claro se a sede administrativa do governo, um prédio de 17 andares, será reconstruída ou demolida. – Estou feliz por voltar ao meu escritório (...), poder retomar as funções de trabalho mais normais – disse a jornalistas a ministra da Administração e Igreja, Rigmor Aaserud, cujo gabinete foi pouco danificado. Depois de demonstrar emoção e conclamar a população a se unir, Stoltenberg tem sido muito elogiado pela forma como lidou com o atentado. Uma pesquisa publicada no jornal Verdens Gang mostrou que 80% dos noruegueses acham que ele foi "extremamente bem". Os 4,8 milhões de noruegueses, desacostumados com a violência no seu pacato país, têm agora o desafio de melhorar a segurança sem ameaçar a liberdade e abertura da sua sociedade. Na terça-feira à noite, a polícia destruiu um armazém de explosivos encontrado numa fazenda arrendada por Breivik, cerca de 160 quilômetros ao norte de Oslo. Acredita-se que ele produziu a bomba usando fertilizantes que adquiriu sob o pretexto de ser fazendeiro. Depois da explosão, Breivik, de 32 anos, foi até uma ilha onde havia um acampamento de férias do Partido Trabalhista (governo), e começou a atirar indiscriminadamente, matando 68 pessoas, a maioria jovens. Ele se rendeu sem resistência quando a polícia chegou. Depois, alegou estar numa cruzada contra o islamismo e o "marxismo cultural". Geir Lippestad, advogado do assassino, disse que ele provavelmente é insano, mas que é cedo para dizer se isso será alegado em seu julgamento.
Tags:
Edições digital e impressa