Representantes da Administração de Aviação Federal dos Estados Unidos (FAA, em inglês) e da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) chegam nesta semana para reuniões com membros do Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea). Um dos temas da pauta é esclarecer qual o limite máximo de aviões que cada controlador de vôo pode monitorar em cada console ao mesmo tempo dentro dos padrões de segurança.
Desde o acidente com o vôo 1907 da Gol, em setembro do ano passado, as autoridades aeronáuticas brasileiras adotaram como padrão o número de 14 operações simultâneas para cada controlador. Entretanto, não há nenhuma norma internacional que imponha esse limite.
O engenheiro Eno Siewerdt, especialista em sistemas de aviação, afirma que não há um número ideal. - Existe uma série de técnicas para se estimar o número 'ideal' de aeronaves para cada controlador. Dependendo da metodologia utilizada, chega-se a determinadas conclusões. Mas isso é só uma referência, e não uma verdade absoluta - afirma o engenheiro.
O vice-presidente-executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano, afirma que as justificativas apresentadas pelas autoridades aeronáuticas e pelos controladores não passam de "uma cortina de fumaça" que impede a sociedade de entender as limitações do sistema.
Segundo ele, o número de aviões que um controlador pode supervisionar 'não é, nem pode ser, fixo'. - É muito diferente controlar um setor que tenha um cruzamento de duas aerovias e controlar outro onde esse cruzamento não ocorra e os aviões voem todos na mesma direção -afirma.
A medida é uma das principais causas da lentidão e dos atrasos nos principais aeroportos do País nos últimos meses. De acordo com fontes do Decea, o órgão quer saber quais foram os cálculos usados pelas entidades para estabelecer o limite de aviões a ser monitorado por cada controlador e também como fazer para aumentar o número.
Entre os procedimentos que poderiam ser adotados está o uso de um software para o preenchimento automático de fichas de progressão de vôo, que atualmente é feito manualmente no Brasil. Desta maneira, o controlador teria mais tempo livre para concentrar-se na movimentação dos aviões no console.