Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Norte-americanos fazem dívidas para comer

Os norte-americanos, como qualquer cidadão do planeta, preferem andar à pé a deixar de comer. O problema é que, sem deixar de lado os hábitos alimentares, muitos começam a se endividar para garantir as compras nos supermercados. Isso é o que mostra uma pesquisa das agências Reuters/Zogby, divulgada nesta quarta-feira. Endividamento mostra que muitos já não ganham o suficiente para viver

Quarta, 21 de Maio de 2008 às 08:48, por: CdB

Os norte-americanos, como qualquer cidadão do planeta, preferem andar à pé a deixar de comer. O problema é que, sem deixar de lado os hábitos alimentares, muitos começam a se endividar para garantir as compras nos supermercados. Isso é o que mostra uma pesquisa das agências Reuters/Zogby, divulgada nesta quarta-feira. Os aumentos nos preços do petróleo, segundo o estudo, têm levado os norte-americanos a consumir menos gasolina, mas não alteraram os hábitos alimentares.

De acordo com a pesquisa, cerca de metade dos entrevistados, todos eles prováveis eleitores na eleição presidencial deste ano, disse estar dirigindo menos para compensar o preço recorde da gasolina, que ronda a marca recorde de US$ 3,80 por galão. Apenas 8% dos 1.076 entrevistados disseram comer menos devido ao aumento no preço dos alimentos.

- As pessoas têm mais controle sobre a gasolina. Elas estão dirigindo menos e dirigindo de forma mais inteligente - disse o estatístico John Zogby por telefone.

Dados sobre gastos individuais, apurados por outras agências norte-americanas, apóiam as conclusões da pesquisa. Na semana encerrada em 16 de maio, a venda de gasolina no varejo teve queda de quase 7% em comparação com o mesmo período de 2007, segundo a Mastercard Advisors.

A venda de gasolina nos EUA, nos últimos cinco meses, caiu 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com as cifras calculadas a partir das vendas com o cartão de crédito Mastercard. Segundo Zogby, os consumidores estão impressionados com o fato de a gasolina já ter superado os US$ 4 por galão, em alguns postos.

- As pessoas vinham dizendo que quando o preço chegasse a US$ 4 elas iriam ajustar seu estilo de vida, e reduzir o uso do automóvel é uma forma pela qual estão fazendo isso - diz ele.

Mas apenas 15% dos entrevistados disseram estar comendo menos por causa do preço da comida, que também está em alta. Um outro grupo de tamanho equivalente disse estar usando cupons alimentares para cobrir os gastos. Quase um terço dos entrevistados, porém, diz estar absorvendo os aumentos alimentícios sem mudança de hábitos. Apenas 18% conseguem absorver o aumento da gasolina sem mudar os hábitos.

As grandes redes varejistas, diante do fato de que muitos norte-americanos têm preferido fazer suas compras em grandes supermercados, devido ao preço e ao crédito,  também enfrentam problemas. É sombria a previsão do WalMart  para os resultados de maio, refletindo o desaquecimento econômico generalizado nos EUA. O sinal mais evidente da crise está no fato que um pequeno segmento de consumidores reage aos aumentos de preços colocando todas as compras no cartão de crédito. Na pesquisa, cerca de 5% dos entrevistados disseram ter aumentado seu endividamento pessoal para arcar com os custos energéticos, e um pouco menos de 5% disseram ter feito isso para comprar alimentos.

- Obviamente preocupa. Porque, se continuar, significa simplesmente que as pessoas não estão ganhando o suficiente para viver - concluiu Zogby.

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