O segundo turno na eleição presidencial no Brasil, entre o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) representa uma situação positiva para os investidores, diz reportagem desta segunda-feira do diário americano The Wall Street Journal.
"Um segundo turno representa para os investidores uma situação em que todos ganham. Apesar de esquerdista, Lula provou em seu primeiro mandato que é um guardião responsável da política fiscal, e os mercados financeiros experimentaram um grande recuperação desde que ele assumiu, em 2003", diz a reportagem.
Mas a maioria dos investidores, diz o WSJ, julga que Alckmin "tem uma noção mais clara das reformas no sistema previdenciário e nas leis trabalhistas que o Brasil precisa para pôr em movimento o lento crescimento da economia".
O texto destaca a resistência às mudanças na Previdência, "que custa 12% do PIB, média mais alta que a de países ricos com populações mais idosas". Os sindicatos também protegem a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), "baseada na [lei] do governo fascista de Mussolini, na Itália", e que resulta em processos contra os empregadores e em indenizações. O próximo presidente brasileiro, no entanto, terá de "cruzar os dedos" para que a economia mundial continue forte, lembra a reportagem. O Brasil vem se beneficiando de um ambiente econômico global no qual as taxas de juros estão baixas e os preços das commodities estão altos, principalmente devido à demanda da China.
As previsões, no entanto, são de uma desaceleração na economia americana, que já se vê na queda dos indicadores do mercado imobiliário dos EUA e na contração do PIB do país entre o primeiro (5,6%) e o segundo (2,6%) trimestres. Depois de 17 aumentos consecutivos em sua taxa de juros entre junho de 2004 e junho deste ano, a economia americana começou a dar sinais de perda de força. O Federal Reserve (Fed), o BC norte-americano elevou os juros para conter o avanço da inflação no país.
Uma desaceleração na economia americana tende a reduzir o ritmo da economia global, o que pode pesar nas exportações brasileiras. Outro problema na agenda presidencial para o mandato a começar em 2007 são os problemas estruturais do Brasil, como a carga tributária para sustentar o setor público, a burocracia, que dificulta a abertura de empresas e a dificuldade de manter as metas de superávit primário.
Algumas tendências, porém, podem facilitar o próximo presidente, diz o WSJ: as taxas de juros no país devem manter o ritmo de queda; os gastos dos consumidores devem crescer; e os investimentos em infra-estrutura devem ganhar fôlego.