O norte-americano Roger Kornberg ganhou o Prêmio Nobel de Química de 2006, nesta quarta-feira, por um trabalho em que descreveu como as células copiam informação genética, estudo que pode esclarecer doenças como o câncer e os problemas cardíacos. Ele seguiu os passos do pai, Arthur Kornberg, que conquistou o Nobel de Medicina em 1959, também por trabalhos relacionados à ciência genética.
A pesquisa de Roger Kornberg, 59, professor da Universidade de Stanford, é de "importância médica fundamental", afirmou a Academia Sueca de Ciências no anúncio do premiado de 2006, que receberá 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a US$ 1,37 milhão.
- Fiquei abalado de verdade com a notícia... Ainda estou abalado. Não dá para esperar uma coisa tão extraordinária - disse Kornberg numa entrevista coletiva, por telefone, quando questionado se tinha ficado surpreso por conquistar o mesmo feito do pai, ganhando o Nobel.
A academia afirmou que o processo de cópia de dados do DNA, conhecido como transcrição genética, é essencial para a vida.
- Se a transcrição é interrompida, a informação genética deixa de ser transferida para as várias partes do corpo. Como elas não são mais renovadas, o organismo morre em alguns dias - disse a academia.
Problemas na transcrição contribuem para muitas doenças humanas, como o câncer, problemas cardíacos e vários tipos de inflamação, afirmou a academia. Há fungos venenosos que matam porque conseguem interromper o processo de transcrição. Compreender a transcrição também é importante para o desenvolvimento de várias aplicações terapêuticas para as células-tronco, disse a academia.
Kornberg foi o primeiro cientista a criar imagens que mostravam a transcrição em ação. Suas descrições foram tão detalhadas que era possível distinguir cada átomo.