Emergência. Este foi o caminho encontrado por 126 dos 184 municípios cearenses por significar dinheiro para garantir água e comida nas áreas rurais. Na maioria dessas cidades, mais da metade da produção agrícola foi perdida e a saída foi decretar o estado de emergência, para poder receber ajuda federal. Não foi a falta de chuva, mas a irregularidade, que causou essa situação, como explicou Roberto Pinto, Secretário de Agricultura e Recursos Hídricos do município de Caucaia. Embora a apenas 30 quilômetros de Fortaleza, o município se localiza no Semi-Arido.
- Normalmente o inverno, que é a estação da chuva, começa em março e vai até junho, julho. Este ano choveu em março e depois parou algumas semanas; choveu de novo e veio outra estiagem. Quem plantou na primeira chuva, perdeu. E não adiantou replantar, porque parou de chover de novo - contou.
O fenômeno, conhecido como "seca verde", teve um agravante neste ano. O excesso de chuva do inverno anterior provocou inundações e o rompimento de muitos reservatórios. Nem todos puderam ser recuperados. Com isso, a água que podia estar sendo usada agora foi perdida. Os efeitos atingem em cheio a população das áreas rurais. Em Caucaia, mais de 60% da produção de feijão e milho estão perdidos. Como disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caucaia, Samuel Ferreira Lima, a necessidade é grande.
- Nós estamos em situação de emergência e não é coisa de se esperar para amanhã. É coisa pra ontem - enfatizou.
De acordo com o secretário de Assistência Social do Ceará, Raimundo Gomes de Matos, a tendência é aumentar o número de localidades atingidas pelo chamado "déficit hídrico". Ele disse que o governo estadual tem um programa chamado Sertão Vivo, do Fundo Estadual de Combate à Pobreza que vem fazendo parcerias com os municípios para diminuir o impacto da seca sobre a população dessas localidades.
- O governador Lucio Alcântara esteve em Brasília com o ministro Ciro Gomes e com o secretário nacional da Defesa Civil, Coronel Jorge Pimentel. Estivemos também com o ministro Patrus Ananias, apresentando a proposta de pactuação do Sertão Vivo para que o governo federal, que constitucionalmente tem a missão de atender as populações nesses casos de emergência e de calamidade, possa nos ajudar nessa tarefa - disse.
Enquanto a ajuda não vem, o governo cearense vai executando seu próprio plano de emergência. Em setembro, a Secretaria da Ação Social liberou R$ 865 mil para garantir o abastecimento por carros-pipa, a recuperação de bombas, os dessalinizadores e as cisternas. Segundo o secretário, isso não é suficiente, já que apenas para os carros-pipa são necessários R$ 1 milhão por mês.