A pressão de cinco prêmios Grammy pode facilmente levar um artista a tentar repetir o êxito com a mesma fórmula. Para a felicidade dos apreciadores de música, não foi isso que ocorreu com "Feels Like Home", o novo disco de Norah Jones.
Para os consumidores brasileiros talvez ainda exista a ilusão de que todas as músicas de Norah sigam o padrão jazz-pop de "Don't know why", usada na trilha da novela "Mulheres Apaixonadas" - e as duas primeiras faixas do novo CD, "Sunrise" e "What am I to you?", são as que passam mais perto disso, apesar de não terem o mesmo apelo popular.
A linha condutora de "Feels Like Home" é, no entanto, a música country. O próprio título é uma referência ao Texas, onde a cantora foi criada (ela se mudou para lá depois de ter nascido em Nova York, filha do músico indiano Ravi Shankar).
Tudo isso fica bastante claro quando a voz de Dolly Parton entra na deliciosa "Creepin' in". É um admirável duelo entre o virtuosismo de Dolly e a discrição poderosa de Norah. Há ainda participações dos ex-The Band Levon Helm (bateria) e Garth Hudson (órgão Hammond).
Os melhores momentos são quando Norah Jones troca o piano tradicional pelo elétrico Wurlitzer, como em "In the morning". Destacam-se ainda as versões para "The long way home" (de Tom Waits) e "Don't miss you at all" (um instrumental de Duke Ellington, para o qual a artista fez uma letra).