"Casa de Areia", de Andrucha Waddington, será a atração da noite de abertura da nona edição do Cine PE -- Festival do Audiovisual, em Recife, nesta quarta-feira.
O evento tem crescido em prestígio em relação a festivais mais antigos, como o de Gramado, conseguindo atrair maior número de filmes inéditos.
"Casa de Areia", com um elenco integrado por Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Ruy Guerra e os cantores Seu Jorge e Luiz Melodia, terá a missão de aquecer os ânimos da ruidosa e festiva platéia do Teatro Guararapes, sede das sessões do festival, que costuma reunir um público de até 2.500 pessoas por noite. O filme será exibido fora de competição e tem estréia marcada para 13 de maio.
O encerramento do Cine PE será na noite da próxima terça-feira, com as premiações.
Um incidente de última hora, a retirada do documentário "D. Helder Câmara -- O Santo Rebelde", de Erika Bauer, provocou mal-estar às vésperas do início do festival. Convidada a fazer parte do júri, a cineasta recusou o convite, depois que seu filme foi excluído da programação da Mostra Itinerante, uma das atividades que precedem o festival, no último final de semana.
"Como posso ser jurada de um festival que retira meu filme de uma mostra para a qual foi convidado sem qualquer explicação?", desabafou Bauer, premiada nos festivais de Brasília e do Ceará. A organização, porém, atribuiu o incidente a problemas burocráticos para o transporte do filme.
DOCUMENTÁRIOS NA DISPUTA
A competição principal enfileira sete longas, onde se comprova cada vez mais o grande prestígio dos documentários, com três representantes do gênero concorrendo ao troféu Calunga.
Um deles é o mineiro "Aboio", de Marília Rocha, vencedor de um prêmio no recém-encerrado É Tudo Verdade -- Festival Internacional de Documentários. O filme investiga os cantos dos vaqueiros na caatinga entre Minas Gerais e Pernambuco, com a trilha sonora comandada por Naná Vasconcelos e o grupo Cordel do Fogo Encantado.
O segundo representante documental é a produção paulista "Do Luto à Luta", onde o premiado diretor Evaldo Mocarzel ("À Margem da Imagem" e "Parteiras da Amazônia") explora o universo das crianças com síndrome de Down, numa história de componentes autobiográficos.
Mocarzel, aliás, foi o coordenador de uma das atividades ligadas ao festival de Recife, uma oficina comunitária de documentário, envolvendo jovens da favela Brasília Teimosa -- visitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de seu mandato, em 2002.
O filme produzido pelos jovens, que retrata a transformação da favela depois da retirada das palafitas que serviam de moradia, será exibido também na noite de encerramento, juntamente com o filme "Cabra-Cega", de Toni Venturi, fora de competição.
O terceiro e último documentário concorrente vem do Rio de Janeiro e atende por um dos nomes mais curiosos do festival, "Soy Cuba -- El Mamute Siberiano", de Vicente Ferraz. O filme reconstitui a história da primeira produção cubano-soviética feita em Cuba, chamada justamente "Soy Cuba", ainda nos tempos em que a então URSS era o suporte financeiro, militar e político da ilha de Fidel Castro.
Entre os quatro competidores de ficção, todos são veteranos. A lista começa com Carlos Reichenbach, que comparece com seu novo trabalho, "Bens Confiscados". Drama com fundo político, conta a história de um jovem, filho secreto de um senador corrupto, que é escondido por este numa fazenda no sul, durante uma temporada de denúncias. Para cuidar do rapaz, escala-se uma enfermeira (Betty Faria).
O paulista radicado no Rio de Janeiro Antônio Carlos Fontoura (diretor de "Rainha Diaba" e "Uma Aventura de Zico") volta à direção com "No Meio da Rua". O enredo é sobre dois meninos, um pobre e outro rico, e acompanha uma amizade que começa com o empréstimo de um jogo eletrônico e desencadeia uma grande aventura.
Da Bahia, vem "Esses Moços", história de duas meninas que encontram um velho abandonado. A mais velha coloca-o n