O governo da China divulgou uma lista de 21 pessoas procuradas por suposta participação nos protestos contra o domínio chinês no Tibet. Fotos dos suspeitos foram publicadas na Internet.
Na edição deste sábado, o jornal oficial chinês People´s Daily afirma que os responsáveis pelos protestos serão severamente punidos.
"A China deve reprimir com determinação a conspiração de sabotagem e destruir as 'forças pela independência do Tibet'", diz o jornal em um editorial.
As autoridades chinesas oferecem recompensa e garantem sigilo para quem ajudar a capturar os suspeitos. Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, dois dos 21 suspeitos já foram presos e um terceiro se entregou.
A situação no Tibet, Sichuan e em outras áreas vizinhas ainda estão tensas e o governo chinês têm reforçado tropas.
Kangding, uma cidade com forte presença tibetana em Sichuan, está tomada de soldados, alguns em patrulha, alguns praticando movimentos de artes marciais na praça da cidade.
Sinalizando o medo que os moradores dessas regiões estão sentindo, motoristas recusam-se a fazer viagens para as áreas montanhosas.
- Eu estou nessa para ganhar dinheiro, mas não importa o quanto você me pague, eu não vou naquela direção - disse um motorista.
Repressão
Os protestos foram iniciados no dia 10 na capital tibetana, Lhasa, e posteriormente se espalharam para fora do Tibet, atingindo províncias vizinhas na China onde há forte presença de moradores de origem tibetana.
A China tem reprimido os protestos com força. As informações sobre o número de mortos nos protestos são desencontradas. Segundo o governo chinês, 18 civis e um policial morreram e centenas de pessoas ficaram feridas durante as manifestações em Lhasa. No entanto, tibetanos no exílio afirmam que pelo menos 99 pessoas foram mortas pelas forças de segurança chinesas. Na repressão aos protestos, as tropas chinesas isolaram diversas cidades. O governo também proibiu a presença de jornalistas nas áreas afetadas pelas manifestações.
Na última quinta-feira, a China admitiu pela primeira vez ter atirado contra manifestantes. A polícia chinesa afirmou ter atirado "em legítima defesa" contra manifestantes na província de Aba, o mesmo local onde ativistas tibetanos disseram que oito pessoas foram mortas durante protestos perto do mosteiro de Kirti.
Dalai Lama
O governo chinês tem ignorado os apelos internacionais por diálogo com o líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, que vive exilado em Dharamsala, na Índia.
A China acusa o Dalai Lama - que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1989 por sua oposição ao uso de violência na busca pela autonomia do Tibet - de incitar a violência em uma tentativa de sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim e de promover a independência do Tibet.
O Dalai Lama nega as acusações e afirma que busca a autonomia - e não a independência - do Tibet.
Nesta sexta-feira, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, teve um encontro com o Dalai Lama e pediu à comunidade internacional que critique a dominação da China sobre o Tibet.
Pelosi, que ocupa o segundo cargo na linha de sucessão presidencial nos Estados Unidos, atrás apenas do vice-presidente, pediu também a abertura de uma investigação independente sobre a acusação da China de que o Dalai Lama estaria incitando os protestos.