Maior fabricante mundial de celulares, a Nokia acalmou investidores nesta quinta-feira ao reafirmar sua projeção para o mercado de aparelhos, dizendo que a visibilidade do setor está melhorando. A notícia fez as ações da companhia disparar mais de 10%
As vendas de janeiro a março caíram 27%, conforme o declínio econômico enfraqueceu a demanda por novos celulares, levando a companhia a registrar seu primeiro prejuízo trimestral antes de impostos, de US$15,79 milhões.
O mercado de aparelhos enfrenta em 2009 o ano mais difícil de sua história e a Nokia reafirmou projeção de queda de quase 10% nos volumes de vendas.
Apesar disso, as ações da companhia saltavam, motivadas pela manutenção da estimativa após um trimestre sombrio marcado basicamente por notícias negativas.
O presidente-executivo da empresa, Olli-Pekka Kallasvuo, afirmou que a quantidade de celulares não vendidos por lojas e distribuidores diminuiu substancialmente no trimestre.
– Isso também fez com que o quadro da demanda se torne mais previsível à medida em que entramos no segundo trimestre –, disse ele.
Já o vice-presidente de finanças da Nokia, Rick Simonson, afirmou que era muito cedo para dizer que o mercado já atingiu o fundo do poço.
Para combater a desaceleração da demanda, a Nokia focou nos cortes de despesas no início de 2009, reduzindo postos de trabalho em suas operações, além de interromper o uso de serviços terceirizados na fabricação dos aparelhos.
A margem de lucro na unidade de celulares caiu para 10,4% no trimestre, mas superou a estimativa média de analistas de 8,6%.
– Eu acho que o principal número é a margem dos celulares, que está acima de 10 por cento, e isso é melhor do que o esperado –, disse James Dawson, analista da Morgan Stanley.
A Nokia reafirmou que a margem de lucro operacional em sua principal unidade de celulares atingirá 10% na primeira metade do ano, e ficará na faixa de 13 e 19% no segundo semestre.
A companhia informou que espera que o mercado desacelere no segundo semestre do ano.
– Embora seja outro desempenho fraco, mantivemos nossa convicção de que a Nokia está em uma posição relativamente mais forte do que a concorrência com margens maiores e vantagem significativa de escala e distribuição –, disse Geoff Blaber, analista da CCS Insight.
A Sony Ericsson informou que divulgará nesta sexta-feira um prejuízo maciço relativo ao primeiro trimestre, enquanto a Motorola também enfrenta dificuldades.