Rio de Janeiro, 07 de Agosto de 2026

Nobel da Paz é demitido de banco que criou

Muhammad Yunus, fundador do banco Grameen de microcrédito e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006, foi demitido do banco que criou. A demissão de Yunus é consequência de uma longa desavença com o governo de Bangladesh. Ele se desentendeu com o primeiro-ministro bengalês, Sheikh Hasina, em 2007, quando tentou estabelecer um novo partido no país.

Quarta, 02 de Março de 2011 às 09:07, por: CdB
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Muhammad Yunus, fundador do banco Grameen de microcrédito e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006, foi demitido do banco que criou. – O Banco de Bangladesh está liberando Yunus de suas atividades como gerente-diretor do banco Grameen –, disse Muzammel Huq, presidente do Grameen. A demissão de Yunus é consequência de uma longa desavença com o governo de Bangladesh. Ele se desentendeu com o primeiro-ministro bengalês, Sheikh Hasina, em 2007, quando tentou estabelecer um novo partido no país. O governo bengalês é dono de 25% das ações do Grameen, o banco pioneiro no conceito de microcrédito, fazendo pequenos empréstimos a pessoas pobres, que geralmente não tinham seus pedidos aceitos por bancos tradicionais. Este esquema se multiplicou no mundo todo. Aposentadoria O Banco de Bangladesh informou que Yunus desrespeitou as leis de aposentadoria do país ao permanecer na direção do Grameen muito além da idade obrigatória de aposentadoria, que é de 60 anos. Yunus tem 70 anos. Muzammel Huq também informou que Yunus não conseguiu a aprovação necessária do Banco de Bangladesh quando foi indicado para o cargo de diretor-gerente do Grameen em 1999. – O estatuto do banco Grameen determina claramente que o diretor-gerente deve ser indicado pela diretoria com aprovação do Banco de Bangladesh –, disse. Huq afirmou ainda que já foi enviada uma carta do banco central para o Grameen ordenando a saída de Yunus do cargo. – O mais importante diretor do banco ocupará automaticamente o cargo de diretor-gerente (interino). Vou convocar uma reunião da diretoria em breve e logo um comitê será formado para indicar um diretor-gerente (permanente). Difamado Uma porta-voz de Yunus informou que uma declaração oficial será divulgada ainda na quarta-feira. A demissão dele do banco Grameen não deverá ser bem recebida internacionalmente. Um grupo de instituições de caridade liderado pela ex-presidente da Irlanda Mary Robinson defendeu Yunus em janeiro, afirmando que ele foi injustamente difamado pelo governo de Bangladesh. O grupo chamado Amigos do Banco Grameen afirmou que Yunus foi submetido a ataques "agressivos" e a uma campanha "orquestrada entre políticos". Em dezembro, o primeiro-ministro Sheikh Hasina acusou Yunus de tratar o Banco Grameen como "propriedade particular" e acusou que o banco estava "sugando o sangue dos pobres". O governo bengalês estabeleceu um comitê em janeiro para analisar os negócios do banco em meio a boatos de que poderia assumir o controle do Grameen. Ao mesmo tempo, um documentário de televisão alegou que o dinheiro de ajuda foi transferido irregularmente de uma parte do banco para outra na década de 90.
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