A moda dos grampos telefônicos, uma forma extremamente cômoda de investigar, ou melhor, de obter-se informações, nada científica, não ocorre só no Brasil. Pois não é que o Tio Sam anda metido com estas escutas; não com o, digamos, nobre propósito de descobrir coisas do narcotráfico, por exemplo, mas visando xeretar a vida do diplomata egípcio, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica-AIEA; Mohamed el-Baradei, pois "não querem" que ele seja reeleito; eis que faz um trabalho isento, limpo, que não agrada a um (ou mais) dos homens do presidente, John Bolton; foi ele o sujo artífice da queda do brasileiro José Maurício Bustani, diplomata íntegro, correto e honrado, que, aliás, não demonstrou o clássico apego ao cargo quando foi colocado entre a cruz e a espada. Pensou no bem da humanidade, acima de tudo. Bustani foi - e ainda seria - o chefe da OPAQ - Organização para a proibição de armas químicas.
Aliás, da arapongagem, nem a ONU escapou, quando da presença de Luiz Inácio da Silva
E o que fez José Maurício Bustani para que os EUA movessem céus e terras para derrubá-lo? Nada de mau, só tentou fazer o seu trabalho da melhor maneira possível, em concordância com seus bons princípios, dos quais recusou-se a abrir mão; tendo, todavia, recusado permitir que a entidade que então dirigia, se imiscuísse naquela trama mentirosa sobre as armas químicas no Iraque pré guerra. Ou seja, tentou, juntamente com outro grande homem da AIEA, Hans Blix, destruir os argumentos de Bush e sua tropa para invadir e destruir o Iraque. Exatamente o mesmo motivo que leva o odioso Molton a agir contra el-Baradei.
Como tudo no mundo político tem uma razão principal e outra secundária, muitas vezes escusa, as ações de John Molton contra el-Baradei vêm à tona no momento em que este Molton poderia ser guindado a um alto posto, bem próximo a Dick Cheney. Já pensaram o que isto significa?
O controle dos assuntos atômicos é crucial para o projeto de poder dos Estados Unidos, não sendo por outro motivo, além da má formação moral de muitos de seus funcionários, que estas intrigas acontecem.
Como já foi dito no artigo " Juntando os cacos", os bilhões que George gasta com armamentos, além de desnecessários, posto que deveriam, isto sim, ser destinados a ações humanitárias, não servem nem mesmo para proteger a sua paranóica população, pois há pouquíssimos dias, foi noticiado que o "escudo antimísseis" dos EUA falhou...
.
Precisam, urgentemente, mudar de fornecedores; ou, o que seria mais econômico e saudável, relaxar de vez a respeito desta loucura nuclear. Afinal, a equação E=mc² não é propriedade de ninguém. E sempre, em algum ponto do mundo, haverá alguém bem escondido e bem pago para construir (mais) uma bomba atômica.
Nada do que é dito aqui constitui grande novidade; tudo já era sabido nos bastidores da política.
Todavia, estas ações tacanhas que os EUA costumam realizar só fazem aumentar a crescente antipatia que a comunidade internacional nutre pelos Estados Unidos da América.
Analogamente, as náuseas causadas pelas ações da vasta maioria dos políticos que transitam por terrenos eticamente arenosos, são as mesmas que sentimos aqui no Brasil, quiçá mundo afora.
Como este artigo de bons e maus diplomatas, cabe render uma homenagem a Sérgio Vieira de Melo, que morreu num bombardeio em Badgá, no estrito cumprimento do dever. Este foi um dos maiores diplomatas brasileiros, muito embora o governo brasileiro dele se tenha olvidado muito prematuramente, talvez até por conveniência, algo que sempre fez parte da má política.
Vítima do terrorismo, não importa se nacional ou internacional, a viúve de nosso herói não teve a primazia de receber uma justa indenização por um homem que, este sim, prestou relevantes serviços à pátria, ao contrário de outros que tentaram estabelecer o caos, na vã, estúpida tentativa de tomar o poder pelas armas, ou mesmo um escritor que receb