Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

No pior cenário, gripe aviária provocaria perda de US$4,4 tri

Quinta, 16 de Fevereiro de 2006 às 08:40, por: CdB

 O pior dos cenários mundiais decorrentes da gripe aviária significaria uma queda de 4,4 trilhões de dólares na produção econômica global e a morte de mais de 140 milhões de pessoas, afirmou o relatório de um grupo australiano sobre os eventuais efeitos macroeconômicos da doença. O Instituto Lowy para a Política Internacional detalhou quatro cenários para uma pandemia -- leve, moderado, severo e extremo -- usando dados históricos a respeito de pandemias anteriores de gripe e o efeito da Síndrome Respiratória Aguda e Grave (Sars) na Ásia, em 2003.

O documento do instituto, um grupo independente de estudos, afirmou que uma pandemia faria encolher a força de trabalho em países do mundo todo, aumentaria os custos envolvidos na produção, afastaria os consumidores de setores atingidos pelo vírus e provocaria uma reavaliação do risco-país.

"No cenário extremo, há uma grande diminuição no ritmo de expansão da economia mundial, 142,2 milhões de pessoas morreriam e algumas economias, em especial no mundo em desenvolvimento, encolheriam mais de 50 por cento em 2006", afirmou o documento, divulgado no site do grupo, http://www.lowyinstitute.org.

A China, a Índia e a Indonésia registrariam as maiores taxas de mortalidade nacionais tanto nos cenários "leve" quanto no "extremo" de uma pandemia. Os países menos desenvolvidos teriam, juntos, o maior número de mortes, algo entre 330 mil a 33 milhões de vítimas. Uma pandemia leve, semelhante à pandemia da Gripe de Hong Kong (1968-1969), poderia matar 1,4 milhão de pessoas e diminuir em 0,8 ponto percentual a produção econômica global, ou algo em torno de 330 bilhões de dólares.

Uma pandemia severa seria semelhante à da Gripe Espanhola (1918-1919), que matou entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas no mundo todo. Por enquanto, o vírus da gripe aviária H5N1 continua tendo dificuldades para contaminar seres humanos. Mas cientistas acreditam que o vírus, em constante mutação, pode adquirir a capacidade de passar de uma pessoa para outra facilmente.

A gripe aviária matou ao menos 91 pessoas desde 2003, quando ressurgiu na Ásia, e já se espalhou pela Europa e pela Nigéria. A maior parte das mortes aconteceu no leste da Ásia. Segundo o relatório, como aconteceu com as dez pandemias registradas nos últimos três séculos, uma pandemia de gripe aviária se originaria provavelmente na região asiática.

"O motivo pelo qual a Ásia é identificada como uma provável fonte de uma futura pandemia é a sua grande densidade populacional e as práticas de convívio com animais, incluindo aí a coabitação com porcos e aves aquáticas", afirmou o relatório.

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