No Paquistão, Hillary pede maior esforço contra militantes
Por Chris Allbritton e Arshad Mohammed
ISLAMABAD (Reuters) - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse nesta sexta-feira que o Paquistão precisa tomar medidas decisivas contra a militância islâmica e que as relações entre os dois aliados, tensas desde a morte de Osama bin Laden, chegaram a um momento decisivo.
A mais alta autoridade dos EUA a visitar o Paquistão desde que comandos norte-americanos mataram o líder da Al Qaeda este mês, Hillary pareceu estar tentando suavizar as tensões, reiterando que não há evidências de que autoridades do Paquistão tivessem conhecimento do paradeiro de Bin Laden.
Mas ela também disse que pediu ao presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, ao primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, e ao comandante do Exército, Ashfaq Kayani, que fizessem mais para combater os militantes.
"Foi uma visita especialmente importante, porque chegamos a um ponto de virada", disse Hillary a repórteres, em tom tenso, depois de reunir-se com as autoridades paquistanesas e o almirante dos EUA Mike Mullen.
"Esperamos que o Paquistão, que o governo do Paquistão, tome passos decisivos nos próximos dias."
Hillary e outros representantes norte-americanos em Islamabad se negaram a dizer quais seriam esses passos.
A descoberta do líder da Al Qaeda em uma cidade situada a apenas 50 quilômetros da capital paquistanesa, Islamabad, e dotada de uma importante academia militar, levantou novas dúvidas quanto à confiabilidade do Paquistão como parceiro na guerra liderada pelos EUA contra a militância.
A secretária disse que autoridades paquistanesas lhe disseram que "alguém, em algum lugar" vinha fornecendo apoio a Bin Laden no Paquistão, mas reiterou que não existem evidências de nenhum tipo de cumplicidade de autoridades governamentais.
"Estamos tentando decifrar o quebra-cabeças da presença de Bin Laden em Abbottabad", disse ela. "Mas quero destacar novamente que não temos absolutamente nenhuma razão para acreditar que alguém nos mais altos escalões do governo tivesse conhecimento disso."
Hillary vem enfatizando a necessidade de os EUA continuarem a cooperar estreitamente com o Paquistão, mas sua visita a Islamabad, mantida em sigilo por razões de segurança, se deu no momento em que parlamentares norte-americanos questionam se o Paquistão deve continuar a receber bilhões de dólares em ajuda dos EUA.
O governo paquistanês saudou a morte de Bin Laden, mas ficou constrangido e ultrajado com o ataque secreto em Abbottabad, onde Bin Laden viveu durante anos, considerando que a operação infringiu sua soberania.
Hillary não pediu desculpas pela ação militar, que foi o mais recente de uma série de incidentes -- que incluem desde ataques de aviões norte-americanos não tripulados no Paquistão até a prisão de um agente a serviço da CIA pela morte de dois paquistaneses -- que vêm tensionando os laços entre os dois países. Em vez disso, ela observou que o Paquistão possui alta concentração de líderes militantes.
"Alguns dos terroristas mais perigosos do mundo vêm vivendo no Paquistão nos últimos dez anos, incluindo os líderes mais importantes da Al Qaeda", disse ela.
Hillary disse ainda que os EUA procuram separar o Taliban no Afeganistão da Al Qaeda e incentivar os militantes do Taliban a se reconciliarem com o governo afegão. Ao mesmo tempo em que reconheceu o interesse do Paquistão em um Afeganistão seguro e estável, ela observou que o Paquistão precisa fazer mais.
"Muitos dos líderes do Taliban continuam a viver no Paquistão", disse ela. "O Paquistão tem a responsabilidade de nos ajudar a ajudar o Afeganistão, impedindo insurgentes de travarem guerra a partir do território paquistanês."
Reuters