O juiz do caso sobre os meninos mutilados em rituais de magia em Altamira, no Pará, suspendeu a sessão para amanhã, em função de um falso testemunho. Durante o interrogatório do advogado de defesa, a promotora foi alertada por familiares das vítimas sobre a identidade da testemunha. O juiz foi avisado e conferiu que o homem que prestava depoimento se passava por seu irmão que, por estar doente, não compareceu.
De acordo com a Globonews, Hildebrando Sousa Reis disse que foi orientado pela mulher do réu, o médico Anísio Ferreira de Sousa. A falsa testemunha e a mulher foram encaminhadas para uma delegacia para a abertura de inquérito policial. A sessão será retomada amanhã com os debates entre promotoria e defesa.
Na sexta-feira passada, dois dos cinco acusados de integrar o grupo responsável pelos crimes, Amailton Madeira Gomes e o ex-policial Carlos Alberto dos Santos Lima foram condenados a 57 anos de prisão, e a 35 anos, respectivamente. As duas penas são em regime fechado. O julgamento dos outros três réus começou ontem. São eles, os médicos Césio Brandão e Anizio Ferreira, e a líder da seita Lineamento Universal Superior (LUS), Valentina de Andrade.
Entre 1989 e 1993, pelo menos 19 meninos entre 8 e 13 anos foram vítimas dos seguidores da seita. Seis crianças foram mortas, oito sobreviveram e cinco ainda estão desaparecidas. Por causa da castração das vítimas, característica principal dos crimes, a série de assassinatos ficou conhecida como "o caso dos meninos emasculados de Altamira".