No Iraque, manifestantes se reúnem no centro de Bagdá em protesto contra o governo
Um grupo de manifestantes concentrou-se, na manhã desta sexta-feira, no centro de Bagdá. Eles protestavam contra a corrupção no governo, que conta com o apoio dos EUA, e reclamaram da baixa qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.
Um grupo de manifestantes concentrou-se, na manhã desta sexta-feira, no centro de Bagdá. Eles protestavam contra a corrupção no governo, que conta com o apoio dos EUA, e reclamaram da baixa qualidade dos serviços públicos oferecidos à população. Muitos destes serviços são realizados por concessionárias norte-americanas, contratadas ainda no governo de George W. Bush. Apesar de as autoridades proibirem a circulação de veículos na capital, a mobilização não foi interrompida e a polícia seguiu os cerca de 200 manifestantes a uma distância segura.
– Somos iraquianos e reivindicamos os nossos direitos mais básicos – disse Mohamed Ziad, um funcionário do Ministério das Finanças, de 40 anos. "O petróleo é para o povo e não para os ladrões", gritavam os manifestantes, além de "Maliki mentiroso", referindo-se ao primeiro-ministro Nouri al-Maliki.
As manifestações fazem parte de um movimento de contestação que segue a onda que predomina no Norte da África e em parte do Oriente Médio. No último dia 25, houve no Iraque o "Dia da Ira" em que se registraram protestos em 20 cidades, causando 16 mortos.
No centro da capital iraquiana, o tráfego rodoviário foi proibido desde a meia-noite da véspera. Isso fez com que as ruas e avenidas ficassem quase desertas, pois poucos automóveis circulam evitando pontos de controle das autoridades.
Renúncia
Na véspera, em meio a outra série de protestos na capital iraquiana, o presidente do Parlamento de Bagdá, Saber Al Essawi, renunciou ao cargo. Os manifestantes pedem respostas das autoridades às denúncias de corrupção e sobre a má qualidade dos serviços públicos. Ainda não foi anunciado um sucessor para Al Essawi.
– Apresento a minha demissão e espero que seja escolhido um novo presidente da Câmara para concretizar a reconstrução e desenvolvimento da capital – disse Al Essawi, em comunicado divulgado pelo seu partido - o Conselho Supremo Islâmico do Iraque.
Há cinco anos, Essawi estava no comando da instituição. No comunicado, não há referência às razões que motivaram sua renúncia. Em Bagdá, o presidente da Câmara não é eleito, mas nomeado pelo primeiro-ministro, Nuri Al Maliki.
Desde o começo de fevereiro ocorrem manifestações no Iraque. Oficialmente são divulgadas 23 mortes em Bagdá e também em outras cidades iraquianas. No mês passado, os governadores de três regiões iraquianas apresentaram as demissões, pedidas pelos manifestantes.
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