Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

No Dia Nacional da Saúde, especialistas falam dos desafios do SUS em debate no rádio

Sexta, 05 de Agosto de 2011 às 13:47, por: CdB

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A qualidade do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) foi o eixo de discussão organizada pelo programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, por ocasião da comemoração, hoje (5), do Dia Nacional da Saúde. A data é uma homenagem ao médico brasileiro Oswaldo Cruz, nascido no dia 5 de agosto de 1872, pioneiro no estudo da medicina experimental no Brasil e no tratamento de doenças tropicais.

A gestão do SUS, o seu financiamento e o acesso às unidades do sistema tomaram conta do debate. O promotor titular da Promotoria de Justiça da Defesa da Saúde (Pró-SUS) Jairo Bisol defendeu a criação de "um modelo de gestão claro" no sistema de saúde. Para ele, o gestor de saúde "sofre pressões de natureza política de toda espécie e, já que não se consegue reformular o sistema político, é preciso pelo menos proteger o gestor das influências".

O excesso de ações na Justiça provenientes da área de saúde também prejudica o gestor no seu trabalho, segundo Bisol. "A produtividade no SUS é alta, o que não se pode dizer da qualidade, que precisa melhorar. Sem a equalização de todo o sistema, no entanto, não será possível resolver as deficiências".

Para o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, o SUS tem vantagens sobre os sistemas de outros países porque "é descentralizado, o que dá ganhos importantes". Ele defende a definição de metas para estabelecer o financiamento da saúde e a facilitação do acesso da população ao atendimento. O ponto crítico, segundo ele, é o atendimento a parcelas mais pobres da população já que o país tem cerca de 4 mil municípios com população até 20 mil habitantes.

Já o assessor técnico do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Marcos Franco, acredita que o público deva ser mais ouvido sobre "a organização do sistema de saúde, que estamos aprendendo a fazer, para que as coisas melhorem. O Brasil tem uma dívida enorme para com os desassistidos e tem pressa em resgatar essa obrigação".

E a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci, sugeriu, como forma de aumentar a receita na área da Saúde, obrigar os planos de saúde a remunerar o governo pelos atendimentos de seus clientes feitos no SUS. Tudo o que se fizer, segundo ela, tem a ver com "o interesse superior de um país que está vendo sua população envelhecer e se depara com a necessidade de melhorar a assistência". Inês argumenta que os planos privados estão evitando atender aos idosos, que, cada vez, mais recorrem ao SUS.

Edição: Lana Cristina
 

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