Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

No dia do Trabalhador Rural, Stédile bate forte no governo

No Dia do Trabalhador Rural, comemorado nesta terça-feira, integrantes de entidades ligadas ao Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) e da Pastoral da Juventude Rural (PJR) promoveram atos de protesto em Brasília. (Leia Mais)

Terça, 25 de Julho de 2006 às 10:44, por: CdB

Não faltaram críticas à reforma agrária do governo

No Dia do Trabalhador Rural, comemorado nesta terça-feira, integrantes de entidades ligadas ao Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) e da Pastoral da Juventude Rural (PJR) promoveram atos de protesto em Brasília. Em frente ao Ministério da Agricultura, os trabalhadores do campo protestaram contra a Organização Mundial do Comércio (OMC). Eles fizeram um velório simbólico do agronegócio, considerado um dos principais impactos negativos da liberalização do comércio por significar a destruição da agricultura familiar.

Em entrevista ao jornal do Sindicato dos engenheiros do Rio Grande do Sul, um dos principais coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile voltou suas baterias contra o modelo de reforma agrária do governo federal.

- Qual a sua avaliação da Reforma Agrária no governo Lula?

- O Brasil vive uma grave crise de projetos para a sociedade brasileira. Nas eleições de 2002, o povo brasileiro votou no Lula com intenção de derrotar o neoliberalismo. No entanto, para ganhar as eleições, o governo Lula fez alianças com parcelas das elites brasileiras que são neoliberais e isso se revelou depois na composição do governo, se tornando um governo ambíguo que tinha ao mesmo tempo ministros de esquerda e neoliberais. Toda a área econômica ficou neoliberal. Nesse cenário, quase todos os movimentos sociais, tiveram pontos positivos e negativos. No campo específico da reforma agrária o nosso balanço é negativo porque as medidas que o governo tomou ao longo de quatro anos beneficiaram muito mais o agronegócio do que a reforma agrária de maneira que nós não conseguimos avançar em nada. O governo não teve coragem sequer de atualizar os índices de produtividade que medem se uma fazenda pode ou não ser desapropriada. Os índices usados atualmente são do censo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de 1975. No conjunto da política agrícola do governo continuou-se privilegiando a agricultura para exportação. A agricultura brasileira deve em primeiro lugar cumprir a sua função primordial que é produzir alimentos saudáveis e baratos para o povo brasileiro que, infelizmente, continua faminto ou se alimentando aquém das necessidades básicas nutricionais.

A agricultura familiar está sendo contemplada no governo Lula?

- O Brasil tem cinco milhões de pequenos agricultores familiares. O governo do FHC desmantelou todas as políticas agrícolas públicas. Elas cuidavam da garantia de preços justos, passando pela assistência técnica aos agricultores, o crédito, o seguro e a garantia de armazenagem. Tudo isso no governo FHC acabou. Hoje, os agricultores familiares estão mais do que nunca a mercê das leis do mercado que sempre prejudica os menores e os mais empobrecidos. O governo Lula não conseguiu recompor as políticas públicas para agricultura familiar. A única área que de fato ele agiu foi no crédito, cujo volume  passou de R$ 3 bilhões para 8 bilhões. Na prática, eles conseguiram atingir apenas 1 milhão e 200 contratos, ou seja, beneficiou cerca de 20% do universo de agricultores familiares, aqueles que já estão acostumados a ir ao banco, que já têm uma agricultura totalmente mercantilizada. Os outros quatro milhões, que são mais pobres e possuem menos terras,  continuam desassistidos.

- Você já declarou que os transgênicos só servem às multinacionais, mas e se a pesquisa fosse financiada por instituições públicas seria algo positivo, ou o seu princípio, independente de quem estiver financiando é ruim?

- Primeiro, há uma questão cientifica que é da biotecnologia, técnicas que se aplicam na agricultura para ir melhorando a qualidade e produtividade das plantas. Ao longo da historia, os biotecnólogos foram sempre os agricultores, que faziam cruzamentos empíricos entre plantas para obter variedades mais prod

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