À véspera da sua histórica posse como presidente dos EUA, Barack Obama participou na segunda-feira de uma cerimônia em homenagem ao reverendo Martin Luther King, num evento que simboliza as barreiras raciais que o democrata enfrentou para se tornar o primeiro governante negro do seu país.
Deixando por alguns momentos a preparação do discurso a ser proferido na terça-feira, Obama visitou feridos de guerra em um hospital militar e fez um apelo para que os norte-americanos voltem a se comprometer com o serviço público, o que segundo ele seria uma forma de homenagear Luther King, herói da luta pelos direitos civis.
Centenas de milhares de visitantes continuam chegando a Washington para a posse, um evento que, apesar da festa, é turvado pelos assombrosos desafios que Obama enfrentará - especialmente a crise econômica, a pior desde a década de 1930, e as guerras inconclusas do Iraque e Afeganistão.
A proximidade entre o feriado nacional alusivo ao nascimento de King, celebrado na segunda-feira, e a posse presidencial, na terça, reforça o simbolismo da ascensão de um afro-americano ao comando da Casa Branca, erguida parcialmente com a mão-de-obra de escravos negros.
- Hoje, celebramos a vida de um pregador que, mais de 45 anos atrás, ergueu-se em nossa avenida nacional, à sombra de Lincoln, e compartilhou seu sonho para a nossa nação - disse Obama em nota, referindo-se ao célebre discurso "Eu Tenho um Sonho", proferido em agosto de 1963 por Luther King no Memorial a Lincoln, no "Mall" (avenida monumental de Washington).
- Amanhã, nos uniremos como um só povo no mesmo 'Mall' onde o sonho do dr. King ainda ecoa. Ao fazê-lo, reconhecemos que aqui na América nossos destinos estão inextrincavelmente ligados. Resolvemos que, ao caminhar, caminhamos juntos - disse.
Ao redigir um dos discursos de posse mais aguardados da história, Obama tentará assegurar os norte-americanos quanto à recuperação econômica, e sinalizará ao mundo o desejo de melhorar a combalida imagem externa do país.
Mas Obama, eleito com a promessa de mudança após oito anos sob o comando do republicano George W. Bush, também estará ciente de que, se mantiver as expectativas elevadas demais, poderá frustrar.
O futuro presidente promete gastar centenas de bilhões de dólares para estimular a economia, e diz que pretende retirar as forças de combate do Iraque dentro de 16 meses.