O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, negou nesta quinta-feira que será candidato a governador de Goiás nas próximas eleições.
"Minha resposta é não", disse em audiência pública no Congresso, ao ser questionado pelo deputado Ronaldo Dimas (PSDB-TO).
Em abril, já em meio a denúncias de irregularidades fiscais, Meirelles recebeu o terceiro convite oficial do PTB para se filiar ao partido e disputar o governo goiano.
Na audiência, marcada para uma avaliação semestral da política monetária, cambial e de crédito do BC, Meirelles também foi questionado sobre o nível elevado dos juros no Brasil. Ele justificou o patamar pelo histórico de hiperinflação e crises vividas pelo país, mas destacou que a situação atual é muito melhor.
A taxa básica de juros está em 19,75% --foi mantida na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho depois de nove meses seguidos de aumento.
O presidente do BC também avaliou como "favorável para o país" a idéia de zerar o déficit nominal e de ampliar a desvinculação das receitas orçamentárias, como vem sendo estudado pelo governo por meio da adoção de metas fiscais nominais. Meirelles argumentou, no entanto, que o tema não é simples.
Perguntado sobre a proposta de ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN), apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo chamado Conselhão, Meirelles ponderou que a idéia é complicada porque ficaria a dúvida sobre qual seria o número ideal de componentes.
"Tentarmos replicar a representação da sociedade no Conselho Monetário Nacional é algo sem precedente nas democracias."
Atualmente, o CMN é composto pelo ministro da Fazenda, pelo ministro do Planejamento e pelo presidente do BC.