Na véspera do 21º aniversário da Guerra das Malvinas, os ex-combatentes argentinos disseram nesta terça-feira, que tanto esse conflito como o que atualmente acontece no Iraque deveriam solucionar-se "com a palavra e não com as armas". "Na Argentina e no mundo nunca mais a razão tem que ser a força. O homem tem que conversar e para isso está a diplomacia", disse o presidente da Federação de Veteranos de Guerra da Argentina, Rubén Rada. As principais associações de ex-combatentes deste país anunciaram os atos previstos para a próxima quarta-feira, quando se comemorará um aniversário do início da guerra argentino-britânica de 1982 pela posse das Ilhas Malvinas. Além disso, em uma entrevista coletiva conjunta marcaram as similitudes que segundo sua opinião existem entre aquele conflito bélico e o ataque lançado há duas semanas pelos Estados Unidos e seus aliados contra o Iraque. "As Malvinas são nossas e mais do que qualquer um possa pensar do povo iraquiano, o Iraque é dos iraquianos", afirmou Rada sobre a invasão do país asiático por parte das forças dos Estados Unidos e do Reino Unido. "Outro dia vimos uma fotografia de marines içando a bandeira americana no Iraque. Isso é tomar um país e supostamente tinham dito que a finalidade era devolver a democracia para os iraquianos", acrescentou. Além de considerar que "esta guerra tem a ver com propositos claramente econômicos", em referência aos Estados Unidos o dirigente fez alisão à "soberba de um país que se acha superior ao resto". De qualquer maneira, estimou que "é muito importante que 95% da humanidade estão dizendo não a guerra, o que quer dizer que se entendeu que quando há um conflito entre as nações o único caminho é a palavra, não as armas". Por sua vez, o titular da Comissão Nacional de Ex-Combatentes, Marcelo Sánchez, afirmou que "os homens ganham a guerra quando conseguem a paz e o que aconteceu no caso dos Estados Unidos e Iraque é que fracassou a política". A Guerra das Malvinas, que deixou cerca de mil mortos em ambos os lados, começou depois do desembarque argentino no arquipélago do Atlântico Sul em 2 de abril de 1982. O conflito bélico terminou em junho desse mesmo ano com a rendição das tropas argentinas. "Para nós significa uma honra ter defendido a pátria e permanentemente vamos a render homenagem aos jovens que deram a vida por esta causa", manifestou Sánchez. Ele explicou que os atos de comemoração começarão na meia-noite desta quarta-feira no Monumento aos Caídos erguido em uma praça de Buenos Aires e disse que a cerimônia central acontecerá na cidade de Puerto Madryn, no sul do país. O presidente argentino, Eduardo Duhalde, prometeu assistir a esse encontro junto ao ministro de Defesa, Horacio Jaunarena, e também se celebrará uma missa na catedral metropolitana de Buenos Aires.
No aniversário da guerra das Malvinas, ex-combatentes pedem paz
Terça, 01 de Abril de 2003 às 11:25, por: CdB