Na Vila Esperança, as torneiras estão secas desde o ano passado
O nível do sistema Cantareira de abastecimento de água caiu, nas últimas 24 horas, em 0,1% de sua capacidade, que agora está em 15,1%, percentual que indica a quantidade de água presente no manancial em relação ao total possível de ser armazenado, conforme dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Desde a última segunda-feira, o Cantareira vinha mantendo estabilidade, mesmo com pouca chuva. No entanto, nesta sexta-feira recuou 0,1%, a mesma variação observada nesta manhã. A quantidade de chuva acumulada no mês está em 6,7 milímetros (mm) e a média histórica para todo o mês é 78,2 mm.
Os dados da Sabesp apontam um déficit de 9,7% (ou 95,2 milhões de metros cúbicos) para atingir o nível do ponto inicial da água armazenada acima das comportas, o que permitiria as retiradas por meio de gravidade.
Nos demais sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, houve elevação no nível dos reservatórios do Alto Tietê, que passou de 22,5% na véspera para 22,6% neste sábado; do Rio Grande (de 94,6% para 94,8%); e do Rio Claro (de 52,3% para 52,6%). O nível do sistema Guarapiranga caiu de 81,1% para 80,9%; e o do sistema Alto Cotia ficou estável em 65,3%.
De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura de São Paulo, há previsão de chuvas, a partir deste domingo, que devem beneficiar os sistemas produtores de água que abastecem a Grande São Paulo e capital. A partir da próxima tarde, nuvens carregadas, vindas do interior do Estado, provocarão chuva com até forte intensidade, inclusive no período da noite. O potencial para formação de alagamentos é elevado.
Sem caixas d´água
Em Vila Esperança, Zona Norte de São Paulo, além da pobreza e do abandono, os moradores também convivem com o descaso do governo do Estado que prometeu entregar caixas-d'água aos moradores, para que pudessem enfrentar a crise hídrica que atinge a comunidade desde o ano passado.
Até agora, apenas algumas caixas d'água prometidas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) foram entregues na favela, onde as torneiras permanecem secas todos os dias das 14h às 8h da manhã do dia seguinte.
No auge da crise, semestre passado, o governo paulista anunciou que distribuiria caixas-d'água a moradores da periferia que, sem um reservatório em casa, sofrem mais as consequências do racionamento imposto pelo Estado por meio da técnica de redução de pressão na rede.
A promessa era entregar, até junho, 25 mil caixas-d'água, ao custo de R$ 125 cada uma. Até agora, das 25 mil prometidas, apenas 20% foram entregues. O cronograma, antes previsto para ser concluído em junho, foi prorrogado até agosto.
No auge da crise, o governo tucano responsabilizou famílias sem caixa-d'água pelo desabastecimento que ocorre há meses em alguns pontos. Com esses reservatórios abastecidos de madrugada, as famílias poderiam usar essa reserva nos períodos de falha no fornecimento.
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