Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Níveis de testosterona determinam capacidade de amamentar

A capacidade de amamentação da mãe pode ser governada pelos seus níveis de testosterona durante a gravidez. O hormônio, responsável pelo desenvolvimento de características masculinas mas que também está presente nas mulheres, pode ter impacto negativo no desenvolvimento do tecido glandular do seio. (Leia Mais)

Sexta, 08 de Janeiro de 2010 às 08:32, por: CdB

Uma pesquisa da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega sugere que a capacidade de amamentação da mãe pode ser governada pelos seus níveis de testosterona durante a gravidez.

A equipe de cientistas também sugeriu que, no caso de dificuldade na amamentação, não há problema em alimentar o bebê com outro tipo de leite.

O estudo, publicado na revista especializada Acta Obstetricia and Gynacologica Scandinavica, acompanhou 180 mulheres grávidas, entre elas, mulheres que apresentavam risco de dar à luz bebês pequenos - uma ocorrência que já se sabe ser influenciada por níveis mais altos de testosterona.

A equipe levou em conta outros fatores como idade, educação das mulheres e se elas fumavam. Mesmo assim, eles encontraram uma relação clara entre as baixas taxas de amamentação entre os três e seis meses de vida do bebê e altos níveis de testosterona da mãe.

Os cientistas sugerem que o hormônio, responsável pelo desenvolvimento de características masculinas mas que também está presente nas mulheres, possa ter um impacto negativo no desenvolvimento do tecido glandular do seio da mãe o que, por sua vez, afeta a capacidade de amamentação.

– Basicamente, a mãe que enfrenta dificuldades (na amamentação) não deve se sentir culpada - provavelmente é assim que acontece (com ela), e o bebê não vai sofrer se for alimentado com outro leite –, afirmou o chefe da pesquisa, professor Sven Carlsen.

– Uma mãe deve fazer o que a deixa feliz –, disse.

Para o professor Ashley Grossman, do Centro de Endocrinologia de Barts, em Londres, a pesquisa norueguesa é interessante, mas podem ser várias as causas de dificuldades na amamentação.

– Existem todos os tipos de fatores biológicos que afetam a capacidade de amamentação de uma mulher. E quando as mulheres ouvem que precisam tentar de novo, é importante destacar que algumas simplesmente não podem (amamentar).

Amamentação e saúde

A equipe liderada por Carlsen também analisou, em 2009, 50 estudos internacionais a respeito da relação entre amamentação e saúde.

Com base neste trabalho, o professor concluiu que os benefícios da amamentação para a saúde do bebê em relação aos outros tipos de leite podem ter sido exagerados.

– Estas diferenças na saúde não são tão importantes – , afirmou.

– Quando você analisa estudos epidemiológicos e tenta retirar outros fatores, é realmente difícil encontrar quaisquer benefícios substanciais entre as crianças que foram amamentadas quando eram bebês –, acrescentou.

A maioria dos governos e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam que o bebê seja alimentado exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade.

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