Rio de Janeiro, 14 de Fevereiro de 2026

Ninguém foi inocentado e ninguém foi culpado, diz Lula

Quarta, 29 de Agosto de 2007 às 18:20, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o que ocorreu no Supremo Tribunal Federal, nesta semana, foi uma demonstração de que o Brasil e as instituições estão funcionando. Em entrevista à imprensa, ele disse que o julgamento dos acusados de envolvimento no chamado mensalão ocorreu dentro do que previa.

— O julgamento do Supremo, para mim, aconteceu dentro daquilo que eu previa que acontecesse num país democrático, com instituições sólidas. Houve um processo, houve um pedido de indiciamento, houve aceitação desse indiciamento. Ou seja, até agora, ninguém foi inocentado e ninguém foi culpado. Agora, começa o processo de cada advogado fazer a defesa de seu paciente [cliente], e o processo vai entrar numa rotina normal —, disse Lula.

O Supremo Tribunal Federal concluiu na terça-feira o julgamento da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, contra os 40 acusados de envolvimento com o mensalão, esquema de compra de votos de parlamentares em troca de apoio político. Entre os 40 acusados de participar do esquema, estão os ex-ministros José Dirceu; Luiz Gushiken e Anderson Adauto. O empresário Marcos Valério e os deputados João Paulo Cunha e José Genoino, ambos do PT de São Paulo, também responderão a processo criminal na Suprema Corte.

Ainda ao comentar o julgamento, o presidente afirmou que tentaram atingi-lo no caso do mensalão.
 
— Veja, eles tentaram, na verdade, me atingir, e 61% do povo deu a resposta na eleição do ano passado. Eles sabem perfeitamente bem o que é um processo. Eu, ao mesmo tempo em que fico assistindo, sem poder dar palpite nas decisões do STF, e tem sido uma prática minha, o que aconteceu, na verdade, é uma demonstração de que no Brasil as instituições estão funcionando, a democracia está sólida —, disse.

Perguntado se o principal assunto da reunião ministerial de quinta-feira será a crise econômica mundial, Lula respondeu disse que há seis meses que não convoca nenhuma reunião de ministério.
 
— Tem muitos ministros novos. Então, será uma reunião em que faremos uma apresentação sobre a questão econômica, vamos fazer uma apresentação de como está a questão do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], de como está todo o conjunto das políticas sociais do governo, uma análise política, vamos almoçar e voltar a trabalhar —, disse.

Lula informou que, durante a reunião ministerial, também pretende transmitir aos integrantes de seu governo a tranqüilidade que ele e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, têm de que a crise não atingirá o Brasil. O presidente deu a entrevista depois de participar, no Palácio do Planalto, do lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade – Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

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