Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

"Nicotina" apresenta trama de humor negro no México

Quinta, 16 de Junho de 2005 às 11:45, por: CdB

<i>Nicotina</i> protagonizado por Diego Luna, mostra a história em tempo real de um grupo de personagens diferentes entre si que, movidos pela avareza, convergem para uma mesma ação em uma noite na Cidade do México.

A história cômica de humor negro de Martin Salinas ganha um tratamento estilizado e cheio de energia do diretor Hugo Rodriguez nessa produção mexicana/espanhola/argentina. O longa imperfeito, mas criativo, exibido na competição internacional do AFI Fest, merece ao menos atenção.

Luna (de <i>E Sua Mãe Também</i> e <i>Pacto de Justiça</i>) interpreta o hacker Lolo, que mantém um mini-centro de vigilância no seu apartamento, espionando via vídeo e telefone uma vizinha sexy (Marta Belaustegui) adorada por ele. Na noite em que ela descobre o "jogo" do vizinho, ele quebra o sigilo de contas em um banco suíço para um amigo, num acordo que deixará os dois atados aos russos que encomendaram o projeto.

Com toda a confusão provocada pela vizinha enfurecida, Lolo entrega o CD errado, causando um tiroteio e enviando os personagens para as ruas da cidade, onde alguns acabam feridos e mortos.

Entre os envolvidos, estão os malandros Nene (Lucas Crespi) e Thompson (Jesus Ochoa), que debatem sem parar os efeitos do cigarro, e os proprietários de farmácia Clara (Carmen Madrid) e Beto (Daniel Gimenez Cacho), cujo casamento é uma carapaça tão vazia que eles parecem mais colegas de trabalho do que marido e mulher enquanto enfrentam mais uma difícil noite sem fumar.

Outro casal, o barbeiro Goyo (Rafael Inclan) e sua mulher Lady Macbeth (Rosa Maria Bianchi), vê-se ao lado do cadáver de um russo e ela quer resgatar uma fortuna em diamantes que ela acredita estar dentro do trato digestivo do corpo. 

O início do longa, focalizando o computador de Lolo e o seu amor, é de longe o mais inovador do filme, e atuação de Luna também é um dos seus pontos altos. A ausência do ator num trecho no meio do filme deixa um vácuo.

O trabalho de câmera de Marcelo Iaccarino brinca com o espectador, dividindo as telas e iluminando partes da imagem. A trilha sonora, que inclui uma versão jazzística de Fever, tem um papel essencial.

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