Por José Inácio Werneck - O Brasil precisa recomeçar do zero, depois das catastróficas derrotas de 7 a 1 para a Alemanha e dos 3 a 0 para a Holanda, que são certamente os maiores vexames de sua vida esportiva, fazendo esquecer os 2 a 1 para o Uruguai na Copa de 1950.
Citando sucesso musical da cantora francesa Edith Piaf, colunista aconselha esquecer e recomeçar do zero
Hoje de manhã lembrei-me da canção de Edith Piaf: “ni le bien, ni le mal, tout ça m’est bien égal...”
Nem o bem, nem o mal, tudo isto para mim é a mesma coisa.
A canção chama-se “Je ne regrette rien” e nela Edith Piaf, que foi talvez a maior cantora francesa e teve uma vida trágica, diz que não lamenta nada do que lhe aconteceu, que tanto o bem quanto o mal para ela foram esquecidos, arquivados, varridos, agora que ela encontrara um novo amor e que com ele “je repars à zéro” - eu recomeço do zero.
O Brasil precisa recomeçar do zero, depois das catastróficas derrotas de 7 a 1 para a Alemanha e dos 3 a 0 para a Holanda, que são certamente os maiores vexames de sua vida esportiva, fazendo esquecer os 2 a 1 para o Uruguai na Copa de 1950.
Como naquela ocasião eu tinha 13 anos e já acompanhava futebol, posso dizer que sou um sobrevivente dos dois desastres.
Posso também dizer, como la Piaf, que tanto o bem quanto o mal são apenas coisas do passado e no passado devem ficar.
Em termos físicos, da Copa do Mundo ficarão os grandes estádios, alguns deles condenados a serem elefantes brancos, se outras finalidades não forem encontradas.
Pois é difícil prever agora que, no Amazonas, haja um interesse tão grande em futebol que injete ânimo no torcedor para assistir partidas do campeonato estadual naquela gigantesca arena.
Ficaram os imensos gastos e deve recrudescer no país a campanha para que o governo se empenhe mais em investimentos em educação, saúde, transporte e moradia e menos em instalações esportivas.
Com o que, provavelmente sofrerá a Olimpíada do Rio.
O futebol brasileiro tem que ser, é claro, reestruturado, reformulado, reformado (detesto a palavra repensado).
Mas o país como um todo continua e não adianta lamentar.
Tanto o bem quanto o mal ficam no passado e o importante é “repartir à zéro”.
Tudo começa a nascer do perdido.
conservadores gostam de se intitular.
José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins.
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