Netanyahu vê entrega "dolorosa" de terras em nome da paz
Israel precisa buscar a paz com os palestinos, o que irá exigir "concessões dolorosas" que incluem a entrega de terras bíblicas queridas para os judeus, disse o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, nesta terça-feira.
Israel precisa buscar a paz com os palestinos, o que irá exigir "concessões dolorosas" que incluem a entrega de terras bíblicas queridas para os judeus, disse o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, nesta terça-feira.
– Estou disposto a fazer as dolorosas concessões para atingir essa paz histórica. Como líder de Israel, é minha responsabilidade. Não é fácil para mim. Isso não é fácil, porque eu reconheço que a verdadeira paz necessitará da entrega de partes da terra natal ancestral dos judeus – disse ele em discurso ao Congresso norte-americano, referindo-se ao território ocupado da Cisjordânia.
Paz negociada
Netanyahu, ao detalhar sua visão para a paz nesta terça-feira, pediu à aos líderes palestinos que se afaste do grupo islâmico Hamas e abandone os esforços para tentar conquistar unilateralmente o reconhecimento de um Estado na Organização das Nações Unidas (ONU).
– Eu digo ao presidente Abbas: 'Rasgue seu pacto com o Hamas e sente para negociar, faça paz com o Estado judaico. A tentativa palestina de impor um acordo através das Nações Unidas não trará a paz. Deveria ser contestada por todos aqueles que querem ver um fim ao conflito. A paz não pode ser imposta, deve ser negociada – disse Netanyahu ao Congresso norte-americano, referindo-se ao recente acordo de compartilhamento de poder entre as facções Hamas e Fatah, esta do presidente palestino Mahmoud Abbas.
Ainda em relação a um acordo de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), o líder de Israel disse que seu país "nunca desistirá" de alcançar a paz, mas que é preciso negociar as fronteiras.
– Como o presidente Obama disse, elas serão diferentes das de 1967. Queremos a paz, precisamos da paz, queremos paz entre dois povos, vivendo em um Estado palestino e um Estado judaico. É meu compromisso levar meu povo para o caminho da paz – disse Netanyahu.
No entanto, ele disse que que Israel não pode ser tratado como um "invasor estrangeiro".
– É a nossa terra, nenhuma distorção da história pode negar nosso laço milenar com nossas terras. Mas é verdade que os palestinos dividem uma parte conosco, merecem dignidade, serem pessoas livres vivendo em seu próprio Estado. Queremos paz, mas os palestinos têm que aceitar o Estado de Israel – afirmou.
O premiê disse ainda que a questão dos refugiados palestinos deve ser resolvida "fora dos entornos de Israel", e que Jerusalém não pode ser dividida e deve ser a capital única do Estado de Israel.
Ele fez ainda críticas à ligação entre a ANP e o grupo islâmico Hamas.
– A paz deve ser ancorada na segurança. Queremos negociar a paz com ANP, mas não com o Hamas, com um governo que é apoiado pela versão palestina da al Qaeda – afirmou.
Irã atômico
No discurso, Netanyahu se referiu às revoltas populares na região, dizendo que são "tempos conturbados" no Oriente Médio, e que há a "chance de liberdade".
– Milhares de pessoas jovens estão determinadas a mudar seu futuro. Elas merecem dignidade, desejam liberdade. Hoje a região vive um impasse. Rezo para que as pessoas da região escolham o caminho da liberdade. Queremos que todos os árabes sejam livres, que um dia sejamos apenas uma de muitas democracias no Oriente Médio. A democracia começou a criar raízes na região e a ser a esperança de um futuro verdadeiro, de paz e prosperidade. Mas enquanto esperamos e trabalhamos pelo melhor, temos que reconhecer que existem forças que se opõem à paz e ao futuro. Uma delas é o Irã, que brutaliza seu próprio povo, subjuga Líbano e Gaza, ataca forças dos Eua no Iraque e no Afeganistão – afirmou.
O premiê israelense disse ainda que os "direitos humanos, a Justiça e a liberdade" têm de ser respeitados.
– Israel sempre abraçou esse caminho. Hoje, manifestantes corajosos lutam para garantir esses mesmos direitos em suas sociedades. Temos orgulho por termos garantido isso para nossos cidadãos há décadas. Dos cerca de 300 milhões de árabes, menos de 1% são realmente livres, e todos são cidadãos de israel. Por isso, posso dizer que Israel é o que está certo no Oriente Médio, Israel não é o que está errado. Somos diferentes de países onde mulheres são apedrejadas, cristãos são perseguidos. – afirmou, em uma crítica ao Irã.
O premiê de Israel disse que é preciso impedir que o Irã obtenha armas nucleares, e que "o tempo está se esgotando".
– Um regime islâmico com armas nucleares ameaça o mundo e o próprio islã. Mas tenho certeza de que (o Irã) será derrotado, sucumbirá às forças da liberdade. Um irã com armas nucleares tornaria os terroristas em uma ameaça clara e presente para o mundo. Se não os pararmos, eles agirão. Podem colocar uma bomba em qualquer lugar, em mísseis, navios, em uma mala, em um metrô. Grande parte da comunidade internacional trata a causa da destruição com silêncio. Outros condenam Israel por se defender da ameaça do Irã. Mas não vocês, não os EUA. Vocês agem diferente, punem o Irã com sanções, a história os saudará, EUA! Peço q continuem a mandar uma mensagem inequívoca de que nunca permitirão que o Irã desenvolva armas nucleares – concluiu o premiê de Israel.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.