Netanyahu irá delinear "visão" de paz em discurso nos EUALegenda:Netanyahu irá delinear "visão" de paz em discurso nos EUA (reuters_tickers)
Por Jeffrey Heller e Susan Cornwell
WASHINGTON (Reuters) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu disse que irá apresentar sua visão de uma futura paz no Oriente Médio em um discurso no Congresso dos EUA nesta terça-feira, e reafirmou que Israel nunca irá retornar às fronteiras pré-1967.
"Irei delinear uma visão para uma paz israelo-palestina segura", declarou o líder direitista israelense na segunda-feira sobre seu discurso em uma reunião conjunta do Congresso.
"Pretendo dizer a verdade imaculada. Agora mais do que nunca o que precisamos é de clareza."
Discursando na conferência anual de políticas do poderoso Comitê de Assuntos Públicos América Israel (AIPAC na sigla em inglês), grupo de lobby pró-Israel, Netanyahu pareceu manter viva a discordância pública com o presidente dos EUA, Barack Obama, sobre o formato do futuro Estado palestino.
"(Um acordo de paz) deve deixar Israel com segurança, e portanto Israel não pode retornar às indefensáveis linhas de 1967", disse ele, repetindo uma expressão que já usara durante um encontro tenso com Obama na Casa Branca na sexta-feira.
Obama atraiu a revolta israelense um dia antes, quando disse que um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza ocupadas deveria ser traçado em grande parte nas linhas que existiam antes da guerra de 1967, na qual Israel capturou estas áreas e Jerusalém Oriental.
No domingo, Obama apresentou o esboço de seu próprio discurso ao AIPAC, mas pareceu ter apaziguado a revolta israelense de certa forma quando deixou claro que Israel provavelmente poderá negociar a manutenção de alguns assentamentos como parte de uma troca de terras em qualquer acordo final com os palestinos.
As conversas de paz estão congeladas, em grande parte por conta do tema dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Nem Obama nem Netanyahu ofereceram um plano concreto para tentar ressuscitá-las.
Netanyahu conta com a simpatia da maioria do Congresso, onde poucos legisladores em qualquer dos dois partidos defendem os palestinos, curvando-se a décadas de fortes laços entre os EUA e Israel.
"O apoio a Israel não divide os Estados Unidos, une o país. Une velhos e jovens, liberais e conservadores, democratas e republicanos", afirmou Netanyahu ao AIPAC.
"Netanyahu provavelmente tentará abrandar quaisquer diferenças perceptíveis entre sua posição e a do presidente, porque seus desentendimentos com Obama se tornaram contraproducentes para ambos e em última instância minam os próprios interesses de Israel", disse Haim Malka, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
Mas os republicanos no Congresso não estão prestes a abandonar suas críticas sobre a visão recentemente articulada do presidente democrata sobre o Oriente Médio.
Eric Cantor, líder republicano na Câmara, disse na segunda-feira que os comentários de Obama sobre o tema das fronteiras no Oriente Médio deixou "muitos norte-americanos... se questionando que tipo de estratégia é esta. Não faz sentido forçar um aliado democrático nosso a negociar com uma organização terrorista" a respeito da troca de terras.
Cantor se referia ao acordo de união do mês passado entre a Fatah, movimento do presidente palestino Mahmoud Abbas, da Autoridade Nacional Palestina, apoiada pelo Ocidente, e o Hamas, grupo islâmico visto pelos EUA como organização terrorista.
Reuters