O "furacão Duda", como foram classificadas manhã desta sexta-feira as reações do mercado financeiro nacional ao depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPMI dos Correios, nesta quinta, em Brasília, levaram abaixo o índice Bovespa, que chegou a cair 3% nos 15 primeiros minutos de negociação. Às 11h18m, porém, os investidores começaram a reagir para uma queda de 1,42%, em mais um dia de nervosismo e expectativa para o pronunciamento do presidente Lula. Os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo estavam em 26.256.
A queda, logo na abertura, foi atribuída à tensão dos investidores com possíveis novas surpresas no cenário político. Todas as ações, sem exceção, caíram logo pela manhã e entre aquelas mais prejudicadas estavam os papéis do setor de siderurgia e mineração. Até os bancos, geralmente melhor conceituados devido aos lucros inéditos na história brasileira, tiveram suas ações desvalorizadas. Banco do Brasil ON chegou a cair 5,79%, seguido por Itaú PN (4,03%) e Unibanco Unt (-4,49%).
Dólar nervoso
A alta do dólar, na manhã desta sexta-feira, chegou a 2,38%, cotado a R$ 2,400 na compra e R$ 2,402 na venda. A puxada da cotação, pelo segundo dia consecutivo, tem motivação técnica e também política. A volta das compras de dólares por parte do BC e o agravamento da crise política são os dois principais fatores de pressão. No mercado de títulos da dívida externa, os papéis brasileiros operam em baixa e o risco-país nacional (EMBI+ Brasil) sobe 2,05%, aos 397 pontos centesimais. No mercado internacional, o desempenho do petróleo também é influência sobre os mercados nacionais.
O mercado de câmbio também abriu atento à possibilidade de o Banco Central voltar a comprar dólares, como fez na quinta-feira. A turbulência do cenário político leva os analistas a considerar pouco provável que a operação aconteça agora, mas não descartaram a possibilidade disso acontecer nos próximos dias.