Os deputados reunidos na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania discutiram, nesta quarta-feira, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 334/96, que proíbe a nomeação de parentes de autoridades para cargos em comissão e funções de confiança. Quase todos os deputados que usaram da palavra manifestaram-se favoráveis à aprovação da proposta, exceto Jair Bolsonaro.
- Ao aprovar essa PEC, estamos atendendo ao desejo da Nação, o que reforça nossa posição, porque estamos aqui para atender ao povo - disse o deputado Roberto Magalhães (PTB-PE) durante seu pronunciamento.
O deputado Inaldo Leitão (PSDB-PB) advertiu que não basta estabelecer restrição à pratica do nepotismo, pois o princípio da moralidade embutido na Constituição vai além da contratação de parentes.
- Devemos considerar este apenas um passo no caminho que vamos percorrer no sentido da moralidade - disse Leitão.
Hipocrisia
Mas nem todos os parlamentares são favoráveis ao restabelecimento da moralidade pública. O deputado Jair Bolsonaro (PFL-RJ) classificou de hipocrisia a discussão sobre a PEC contra o nepotismo.
Ele disse que não vai votar na Comissão, da qual é suplente, e sim aguardar a discussão das propostas no plenário da Câmara. Ele não quis declarar seu voto.
- Demagogia não sei fazer e não vou fazer - disse.
Bolsonaro garantiu que não tem nenhum parente empregado em seu gabinete, mas disse que um de seus filhos já trabalhou com ele por cerca de oito meses.
- Ele trabalhava e era competente - afirmou
Para o deputado, quem decide se o nepotismo é certo ou errado é o eleitor.