Parlamentares ligados à extrema direita suprimem o Dia Internacional da Mulher no calendário oficial
As autoridades golpistas que integram o governo de facto da Ucrânia decidiram, nesta quarta-feira, refazer o calendário de feriados nacionais. Agora os ucranianos deixarão de comemorar em 8 de março (Dia da Mulher) e 1º de Maio (Dia do Trabalhador). Estes feriados passarão a ser dias de trabalho normais.
Os parlamentares que apoiaram o golpe de Estado por forças ligadas ao neonazismo, no entanto, querem criar o Dia da Restauração do Estado Ucraniano e Dia do Exército Ucraniano. O dia 20 de fevereiro pode se tornar o Dia da Liberdade – em homenagem aos heróis do Maidan e às vítimas de combates nas ruas. Já o 30 de junho será o Dia da Restauração da Soberania Ucraniana, em homenagem à proclamação do Estado ucraniano por Stepan Bandera após a captura de Lviv pelos nazistas em 1941.
Quanto ao aniversário do próprio Bandera, ele não foi feito feriado apenas porque o dia 1º de janeiro já é um feriado. Em 8 de julho pretendem comemorar o Dia do Exército Ucraniano. Nesta data, em 1667, teve lugar uma das batalhas da guerra russo-polonesa – a Batalha de Konotop. Na altura, a Rzeczpospolita, em aliança com o Canato da Crimeia derrotou o exército russo.
Os neonazistas que chegaram ao poder em Kiev não podem se gabar de sucessos, por isso decidiram se ocupar do calendário, acredita o diretor da Fundação Memória Histórica, Alexander Dyukov:
– Eles não podem dizer que a difícil situação econômica está melhorando, pelo contrário, ela está piorando. Eles também não podem declarar que o confronto civil está terminando, ele só se está agravando. Em vez de juntar o país dividido por um confronto civil, as autoridades de Kiev estão abolindo os feriados associados com a URSS, comuns a todo o mundo, e introduzindo feriados que não podem ser acolhidos de outra forma senão negativa.
O autor do projeto de lei foi o ministro de facto da Cultura, Evgueni Nischuk. Ele também propôs abolir o Dia da Vitória, que ele chamou de “dia da vitória dos invasores bolcheviques”. No entanto, foi decidido abandonar essa iniciativa. Mas Nischuk ainda propôs fazer o 8 de maio – o dia do fim da Segunda Guerra Mundial – um dia de luto pelas vítimas da ocupação soviética. A introdução de novos feriados ucranianos e o cancelamento de antigos agravará ainda mais o conflito civil na Ucrânia, acredita o diretor do Instituto do Estrangeiro Russo Serguei Panteleev.
– Tais ações visam enfatizar a diferença entre o Oeste e o Sudeste da Ucrânia, impor à força padrões dos adeptos de Bandera e mostrar a força, o que não tem causado senão irritação. A região do Sudeste observa muitas tradições soviéticas, os dias 8 de março, 1 de maio, para não mencionar o 9 de maio, que são feriados nacionais desde os tempos soviéticos, são importantes para a população – disse Panteleev.
As mudanças afetarão também os feriados religiosos, que passarão a ser comemorados como na Europa, segundo o calendário gregoriano. O projeto de lei será submetido dentro em breve à Suprema Rada (parlamento ucraniano).
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