Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Neoliberalismo no Brasil, Capítulo III: Marina

Por Emir Sader - A economia brasileira entrou numa profunda crise recessiva, como resultado de uma política aventureira, que confiscou as poupanças dos brasileiros. Foi o começo do escancaramento do mercado interno e a quebra das indústrias brasileiras diante da avalanche de ingresso de capitais estrangeiros. O Estado começou a ser desarticulado, pela adoção de políticas de privilégio do mercado.

Segunda, 22 de Setembro de 2014 às 07:53, por: CdB
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O projeto da Marina seria de um neoliberalismo tardio, tendo fracassado no Brasil, na América Latina e no mundo
Capitulo I: Fernando Collor de Mello O neoliberalismo chegou no Brasil no projeto do Collor. Seus carros-chefes midiático foram: - Os “marajás”, como forma de desqualificar aos servidores públicos e ao Estado em geral, estendendo a eles a situação de alguns privilegiados, para atacar o Estado e promover a centralidade do mercado; - As “carroças”, como forma de promover a abertura do mercado nacional, desqualificando a produção brasileira e exaltando a globalização neoliberal. A economia brasileira entrou numa profunda crise recessiva, como resultado de uma política aventureira, que confiscou as poupanças dos brasileiros. Foi o começo do escancaramento do mercado interno e a quebra das indústrias brasileiras diante da avalanche de ingresso de capitais estrangeiros. O Estado começou a ser desarticulado, pela adoção de políticas de privilégio do mercado. Mas a queda de Fernando Collor se deu pelas denúncias de corrupção, como parte do saque do Estado. Deixou apenas começado o projeto neoliberal no Brasil. Capítulo II: Fernando Henrique Cardoso FHC retomou o projeto interrompido do Fernando Collor. O Plano Real foi a forma concreta de privilegiar o ajuste fiscal, tomando como objetivo central do seu governo a estabilidade monetária, o combate à inflação. Nessa sua segunda versão, a estabilidade monetária promoveria distribuição de renda e retomaria o crescimento econômico, pela atração de capitais externos. O controle da se transformou em dívida pública, que foi multiplicada por 10, enquanto a estabilidade monetária não se traduziu em distribuição de renda mas, ao contrário. A centralidade domercado, a abertura ao mercado internacional, o desmonte do Estado, a precarização das relações de trabalho, acentuaram a desigualdade e a exclusão social. O governo FHC foi derrotado pelo seu fracasso até mesmo em controlar a inflação, deixando uma herança maldita para o governo Lula, incluindo uma profunda e prolongada recessão. Os candidatos do seu partido foram sucessivamente derrotados, como expressão do fracasso do governo neoliberal de FHC. Capitulo III: Marina Silva Marina ocupa o lugar do tucano Aécio, que já havia demonstrado que pretendia assumir o projeto interrompido de FHC, incorporando a equipe ecnonômica daquele governo. Sua iminente derrota e um acidente aéreo – de contornos obscuros – levou a que Marina Silva assumisse esse projeto. Seu objetivo expressamente mencionado seria desalojar o PT do governo, mediante uma “nova política”, que na verdade se traduz na desqualificação do Estado e da política, assim como da polarização entre esquerda e direita. O enunciado do seu programa contém postulados clássicos do neoliberalismo: independência do Banco Central, mudança da política de integração regional pela de livre comércio – expressa na Aliança para o Pacífico -, com a particularidade de rebaixamento do perfil do Pré- sal, como forma de abertura aos capitais estrangeiros na área petrolífera. Esse projeto trata de não incorrer no erro de Aécio Neves, procurando revestir o projeto no envoltório de uma “nova política”, mas os traços neoliberais ficam perfeitamente à vista. Se faltasse algo, a equipe central da campanha é composta por uma banqueira e dois ideólogos típicos do neoliberalismo. Os dois primeiros capítulos do neoliberalismo no Brasil se deram no auge desse modelo em escala mundial e latino-americano. O projeto da Marina seria de um neoliberalismo tardio, tendo fracassado no Brasil, na América Latina e no mundo. Emir Sader é jornalista e escritor.  
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