Nesse filme, não tem mocinho
Nem o PT, nem PSDB e PFL têm interesse real em convocar o banqueiro Daniel Dantas para depor na CPI dos Bingos. Estão, todos, fazendo jogo de cena, e tem medo do que ele pode dizer. Tem razão o deputado Orlando Fantazzini (PSOL-SP), quando afirma: "O PT teme a confirmação da extorsão [de Delúbio contra Dantas]. Já o PSDB e o PFL receiam que o banqueiro revele o quanto já os ajudou."
Governo nega, mas negociou
Apesar de o governo de São Paulo negar qualquer negociação com o PCC, está claro que houve, sim, um acordo com os chefes da quadrilha para que os ataques cessassem. A cúpula da polícia levou, num helicóptero da PM, uma advogada ligada ao PCC até o presídio de Presidente Bernardes, onde está o chefe máximo da quadrilha, Marcola. Com ela foram delegados. Pois bem, ontem já foram levados para os presídios 60 aparelhos de TV - uma das exigências do PCC.
Os presos e as TVs
Não sou contrário a que presos possam assistir à TV ou ouvir rádios. Ou, ainda, que suas reivindicações sejam estudadas pelas autoridades. A prisão já é uma punição suficiente e quem diz que presos têm boa vida, nunca esteve engaiolado. Tornar a vida de quem está na cadeia ainda pior, só embrutece ainda mais pessoas que algum dia voltarão ao convívio com a sociedade.
Um precedente perigoso
Mesmo que algumas reivindicações dos presos paulistas não sejam absurdas, atendê-las agora é um grave erro. Ceder um só milímetro neste momento, aceitando as exigências do PCC, abre um precedente perigoso. É como se o poder público mostrasse o caminho para os criminosos obterem o que desejam. Mas ou menos como o pai que cede e dá um pirulito para o filho que grita e esperneia. A criança vai achar que basta portar-se mal para ganhar o próximo doce.