Rio de Janeiro, 15 de Abril de 2026

Nem PT, nem PSDB, nem PFL querem de fato que Daniel Dantas vá depor na CPI

Apesar do jogo de cena, nem os governistas, nem a oposição de direita, querem que o depoimento do banqueiro Daniel Dantas na CPI. Todos temem o que ele possa dizer. Dantas é apontado pela Veja como fonte da mirabolante matéria em que a revista afirma que Lula teria conta bancária num paraíso fiscal, mas Dantas nega ter dado a informação à revista. (Leia mais)

Quarta, 17 de Maio de 2006 às 14:26, por: CdB

Nesse filme, não tem mocinho

Nem o PT, nem PSDB e PFL têm interesse real em convocar o banqueiro Daniel Dantas para depor na CPI dos Bingos. Estão, todos, fazendo jogo de cena, e tem medo do que ele pode dizer. Tem razão o deputado Orlando Fantazzini (PSOL-SP), quando afirma: "O PT teme a confirmação da extorsão [de Delúbio contra Dantas]. Já o PSDB e o PFL receiam que o banqueiro revele o quanto já os ajudou."

 

Governo nega, mas negociou

Apesar de o governo de São Paulo negar qualquer negociação com o PCC, está claro que houve, sim, um acordo com os chefes da quadrilha para que os ataques cessassem. A cúpula da polícia levou, num helicóptero da PM, uma advogada ligada ao PCC até o presídio de Presidente Bernardes, onde está o chefe máximo da quadrilha, Marcola. Com ela foram delegados. Pois bem, ontem já foram levados para os presídios 60 aparelhos de TV - uma das exigências do PCC.

Os presos e as TVs

Não sou contrário a que presos possam assistir à TV ou ouvir rádios. Ou, ainda, que suas reivindicações sejam estudadas pelas autoridades. A prisão já é uma punição suficiente e quem diz que presos têm boa vida, nunca esteve engaiolado. Tornar a vida de quem está na cadeia ainda pior, só embrutece ainda mais pessoas que algum dia voltarão ao convívio com a sociedade.

 

Um precedente perigoso

Mesmo que algumas reivindicações dos presos paulistas não sejam absurdas, atendê-las agora é um grave erro. Ceder um só milímetro neste momento, aceitando as exigências do PCC, abre um precedente perigoso. É como se o poder público mostrasse o caminho para os criminosos obterem o que desejam. Mas ou menos como o pai que cede e dá um pirulito para o filho que grita e esperneia. A criança vai achar que basta portar-se mal para ganhar o próximo doce.

 

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