Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Nem cruzadas, nem jihads

Por Adilson Luiz Gonçalves - Santa coincidência essa de Jerusalém ser cidade santa de três das maiores religiões da atualidade! Bem, não é exatamente uma coincidência, pois todas têm origens comuns: um mesmo patriarca e o mesmo Deus, embora com denominações diferentes. (Leia Mais)

Quinta, 20 de Julho de 2006 às 08:12, por: CdB

Santa coincidência essa de Jerusalém ser cidade santa de três das maiores religiões da atualidade! Bem, não é exatamente uma coincidência, pois todas têm origens comuns: um mesmo patriarca e o mesmo Deus, embora com denominações diferentes.

A rigor, teriam tudo para estar juntas, como "parentes" que são...

Por quê não estão? É pela vontade de Deus ou pela de seres humanos?

Por quê existe tanto rancor, desconfiança e séculos de história escrita com poucas palavras e rios de sangue, que depois de derramado ninguém consegue diferenciar?

É uma disputa de herança? Se for, de que adianta ser o primogênito, o único ou mais novo, e alegar direitos sobre promessas de vida e eternidade, se o produto de nossa fé for destruição e morte?

Bênçãos desse tipo devem ser recebidas, agradecidas e distribuídas! Em vez disso, todos estão prontos para lutar e derramar o próprio sangue - mas, preferencialmente, o dos outros - em nome de sua "fé". Pregam a paz e o perdão em seus templos, mas gastam fortunas em instrumentos de guerra. E mesmo nos templos, sempre há alguém pronto para clamar por uma nova cruzada ou guerra santa! Mas, há santidade no assassinato? Há luz na fumaça dos bombardeios e incêndios de cidades? Há glória nos corpos dilacerados e nos gritos de dor de inocentes? Não! Só há opressão, mentira e selvageria.

No fim, toda a matéria é igualmente absorvida e transformada pela natureza, sem distinção de fé. Se há discriminações e conflitos no mundo, portanto, não é por vontade divina, mas pela de seres humanos! 

Para a guerra todos querem estar prontos! Resta saber quem está, de fato, preparado para perdoar e estancar essa sangria de ódio que enfraquece a humanidade. Supondo que haja, aí vem o segundo momento: quem estará disposto a aceitar esses termos sem cair na tentação de tirar proveito da boa-vontade de outrem...

Nesse momento é que saberemos quem realmente merece ser chamado de filho de Deus, pois reinar pela força e pelo medo é fácil, mas, viver em harmonia é o maior de todos os desafios!

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro e professor universitário

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