As conseqüências da ação da censura nas artes e na cultura brasileira durante o regime militar, o silêncio imposto aos intelectuais e artistas, a proibição, a interdição e os cortes sofridos nas obras audiovisuais.
Estes serão os temas abordados no debate Censura Cinematográfica no Brasil que acontece amanhã, dia 12, às 15h, no CCBB, com a presença dos cineastas Jorge Bodanzky, Nelson Pereira dos Santos e Vladimir Carvalho; do jornalista Inamá Simões e do pesquisador de Cinema Clovis Molinari Jr. A entrada é franca.
No debate, que faz parte do Cinesul 2004 - 11º Festival Latino-Americano de Cinema e Vídeo, será exibido o vídeo Apesar de Você, com trechos de filmes censurados.
O evento faz parte da mostra Roteiro da Intolerância, que apresenta curtas e longas ficcionais e documentários que, de alguma forma, foram vítimas da censura no período da ditadura.
Entre os debatedores estão cineastas que tiveram uma ou mais obras censuradas na época da ditadura. Jorge Bodanzky, por exemplo, diretor de fotografia de produções marginais da Boca do Lixo e co-diretor de Iracema ¿ Uma Transa Amazônica (1974) com Orlando Senna teve negado o certificado de produto nacional do filme. Os negativos originais do filme El Justicero, de 66, de Nelson Pereira dos Santos, foram apreendidos e destruídos.
Vladimir Carvalho, nome importante do documentarismo paraibano também foi censurado. Seu primeiro longa, O País de São Saruê (1967/71) só foi liberado em 1979.
Além deles, estarão presentes o pesquisador de Cinema Clovis Molinari Jr., que foi ativista do movimento cineclubista e atualmente é Coordenador de Documentos Audiovisuais e Cartográficos do Arquivo Nacional e o jornalista Inimá Simões, documentarista, pesquisador de cinema e apresentador do programa Sintonia da TV Câmara. A mostra foi inspirada em seu livro Roteiro da Intolerância ¿ A Censura Cinematográfica no Brasil.