Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Nelson Jobim já fala em 17 brasileiros mortos

Sexta, 15 de Janeiro de 2010 às 08:04, por: CdB

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, regressou do Haiti dizendo ter ficado impressionado com a capacidade da população haitiana de resistir à dor e afirmando que o Brasil continuará à frente dos trabalhos de auxílio às vítimas do terremoto que atingiu o país caribenho na terça-feira.

Para o ministro, o Brasil deve se manifestar solidário ao sofrimento haitiano e demonstrar quem tem capacidade de coordenar uma atuação organizada.

– Não adianta fazer lamentações, mas sim demonstrar que temos capacidade de agir de forma organizada e racional. E não adianta querer fazer assistencialismo unilateral. O que tem que ser feito é o assistencialismo multilateral, em coordenação com o país, com a ONU [Organização das Nações Unidas] e com os outros países – afirmou Jobim esta madrugada, logo após desembarcar na Base Aérea de Brasília.

Durante o tempo que passou no Haiti, Jobim e integrantes da comitiva brasileira sobrevoaram Porto Príncipe e visitaram alguns dos principais pontos comprometidos ou destruídos pelo forte tremor de terra. Ontem (14), os representantes brasileiros se reuniram com o presidente haitiano, Reneé Preval, a quem apresentaram algumas sugestões, como a de acelerar a abertura de covas para enterrar parte dos corpos já encontrados.

– Conseguimos pelo menos discutir uma certa racionalidade na condução [das buscas e do atendimento médico]. Ao chegarmos, eles estavam todos impactados –, disse Jobim, explicando que o Batalhão de Engenharia brasileiro deverá realizar o serviço para minimizar o mau cheiro exalado pelos corpos e evitar a propagação de doenças.

– Já que os costumes locais não permitem que estrangeiros toquem em corpos de haitianos, a companhia de engenharia decidiu que irá contratar mão de obra local para isso – completou.

Diferentemente dos últimos números que vinham sendo divulgados, dando conta da morte de 15 brasileiros, Jobim declarou que as vítimas podem chegar a 17, sendo 14 militares, a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, o vice-representante da ONU no Haiti, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, e uma outra pessoa que ele não identificou. Além disso, até o momento, oficialmente, há quatro desaparecidos.

Questionado sobre o porquê de estar contabilizando Costa entre os mortos sem que seu corpo tenha sido localizado, Jobim disse que falar em desaparecidos é um eufemismo. 

Ainda segundo o ministro, os corpos dos 14 militares brasileiros mortos devem chegar ao Brasil no máximo até este domingo.

– Tem que haver uma liberação por parte da ONU. Há toda uma burocracia considerando-se a questão dos seguros [indenizatórios], mas isso é rápido e os corpos devem chegar no sábado ou no domingo – disse.

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