O ministro da Defesa, Nelson Jobim, criticou na quinta-feira o domínio do mercado de aviação do País por parte de duas empresas - a Gol e a TAM.
- Temos um problema de duopólio - disse ao abrir o Fórum Extraordinário sobre a crise da aviação, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Jobim afirmou que o governo não negocia, "em hipótese alguma, que Congonhas seja um hub, (centro de distribuição de vôos para outras localidades)". Segundo ele, isso significa uma revisão da malha aérea das empresas.
- As empresas anunciam que terão problemas. Não há dúvida de que terão problemas, mas não será o problema dos mortos que tivemos esse ano - disse.
Além disso, de acordo com ele, "há um problema que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) conhece muito bem, que é o de que não há regra legal sobre o problema de tarifas", afirmou.
Jobim disse que no momento o governo está trabalhando para apagar um incêndio e progressivamente vai trabalhar também no médio e longo prazo.
Nesse cenário de tempo mais longo, disse que a aviação regional talvez possa voltar.
- O mundo inteiro compra aviões da Embraer. O Brasil não - afirmou, atribuindo o fato à ausência de aviação regional do País. Jobim também disse que é necessário estudar outros tipos de transporte como ferroviário.
O ministro disse ainda que a premissa para o setor aéreo é a segurança e ela condicionará as regras de desenvolvimento. Ele ressaltou que antes não se falava de problemas de pista e de equipamentos de controle de aeroportos, mas apenas do desconforto nos terminais de passageiros. Segundo Jobim, com a mudança da malha aérea, vai haver um desconforto inicial, mas se o preço da segurança for o desconforto momentâneo, haverá desconforto momentâneo.
Jobim também declarou que vai sentar à mesa com as empresas para negociar, mas deixando claro que há um "princípio inamovível", que é a segurança. Segundo ele, é necessária tranqüilidade para fazer as investigações sobre o acidente em Congonhas, no mês passado.
- Não contem comigo para qualquer antecipação de juízo - afirmou.
De acordo com ele, pode haver um complexo de causas que poderão levar a co-responsabilização.