Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Nei de Paula se orgulha de ter carreira exclusiva no futebol paulista

Quarta, 20 de Julho de 2011 às 06:32, por: CdB

O atual técnico do Atibaia que disputa o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, Nei de Paula, de 51 anos tem um histórico no futebol dedicado somente ao estado de São Paulo. Atacante que preparava as jogadas para os centroavantes, começou nas categorias de base do Palmeiras em 1975 e permaneceu até 1981, onde atuou ao lado de Edu Manga, Toninho Cecílio e Gérson Caçapa, mas não conseguiu chegar ao time profissional. Depois jogou profissionalmente no Nacional, União Suzano e AD Guarulhos.

A sua carreira como técnico começou de forma inusitada: em 1984, já formado em educação física, estava jogando pelo Monte Negro (atual Osasco FC), posteriormente foi designado pela diretoria nas funções de jogador e treinador do time profissional. Nisso, Nei desenvolveu um projeto de oito anos e culminou no acesso a Série A2 como maior feito.

Depois deste trabalho, passou por 20 clubes de São Paulo, como o antigo Estrela de Itu, categorias de base do São Caetano, Atlético Sorocaba, Inter de Limeira, Oeste, Guaçuano, São Carlos, entre outros do certame e espera futuramente realizar o seu sonho de voltar ao Palmeiras, dessa vez como treinador, seja no time principal ou nas categorias de base.

FPF: Qual foi a sua sensação de ter atuado como jogador na base do Palmeiras?
Nei de Paula: Foi fantástico, eram outros tempos, uma qualidade fora do comum, vários subiram ao time de cima: Cecílio, Edu Manga, Osni, que era o meu companheiro no ataque, o Nenê e infelizmente não consegui este objetivo, ainda mais na época que o Pedro Rocha  e o Luís Pereira, que era além de ídolo um amigo fora do comum.

FPF: Até hoje você mantém contato com o Luís Pereira?
Nei de Paula: É amigo pessoal, um dos maiores orgulhos que tenho. Me convidou para fazer estágio no Atlético de Madrid da Espanha, no qual ele é dirigente das categorias de base, mas infelizmente não tive tempo hábil de ir. É um cara sensacional e até hoje se for jogar futebol, mostrará a sua qualidade técnica, nunca vi um zagueiro ter a técnica dele, algo fora do comum.

FPF: Na época que você estava no Palmeiras, o Telê Santana comandava o time principal. Foi uma referência na sua formação de técnico?
Nei de Paula: Uma marca fora do comum, para falar dele teria que melhorar 200% de tão talentoso e dedicado que era. Uma vez fui treinado pelo Telê, que resolveu observar alguns atletas da base e comandou um treinamento conosco. Este fato guardo até hoje como recordação de vida.

FPF: Qual foi a sua maior conquista na carreira como técnico?
Nei de Paula: Quando conquistei o paulista sub 20 pelo Atlético Sorocaba, em 2002 e no ano posterior ganhei uma oportunidade sendo auxiliar técnico do João Martins no time profissional e obtivemos o acesso à Série A1.

FPF: Cite uma história inusitada nesta sua carreira de treinador.
Nei de Paula: Foi no Monte Negro, como eu era jogador e ao mesmo tempo técnico, preparei uma substituição e o colega que iria sair do jogo não entendeu o motivo, porque estava jogando bem, mas não tinha outro jeito, era minha responsabilidade de treinador e até hoje brincamos com este fato.

FPF: Você se orgulha de ter jogado e dirigido apenas times de São Paulo?
Nei de Paula: Aqui é o grande centro, se consegui jogar e virar treinador, alguma qualidade tenho. Para você ver o nível da Segunda Divisão é impressionante, aqui existem os melhores jogadores, comandantes, pessoas que trabalham e ajudam o futebol brasileiro.

FPF: Qual jogador você se orgulha de ter comandado?
Nei de Paula: O atacante Fabiano, que trabalhei no Atlético Sorocaba. Ótimo jogador, me ajudou muito, infelizmente não teve sucesso quando se transferiu ao Santos. Tem o Patrik que agora brilha no Palmeiras, que trabalhei nas categorias de base do São Caetano e logo vi que era um atleta diferenciado, além do César, volante que atualmente está na Ferroviária, todos são especiais na minha carreira.

FPF: Quais ensinamentos você pode passar para quem quer ingressar na carreira de técnico?
Nei de Paula: Conhecimento, maturidade de saber administrar algum problema, mas o mais importante é a parte psicológica, onde competência é algo subjetivo e sim você trabalhar o emocional dos atletas, interpretar quando possuem opiniões e isso me motiva a continuar nesta área aos 51 anos de idade.

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