Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Negros têm vagas exclusivas em quatro das sete universidades públicas do Rio

Terça, 13 de Maio de 2008 às 06:30, por: CdB

Os estudantes afrodescentes do Rio de Janeiro contam com vagas exclusivas em quatro das sete universidades públicas do Estado. Entre as mais concorridas está a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que desde 2003 destina 20% das vagas aos negros.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um das mais procuradas no estado pela variedade de cursos, não adotou o sistema. De acordo com a reitoria, as unidades e instâncias colegiadas discutem a questão, mas ainda não há posicionamento oficial sobre o assunto.

O aluno de ciências sociais da UFRJ, Julio Vitor Costa, 23 anos, que é negro, liderou com outros colegas no início do ano, um movimento que propunha à reitoria atividades para promover a cultura negra e discutir diferenças étnico-raciais.

Com essas atividades, os estudantes queriam criar um espaço para discutir a adoção de cotas para alunos negros.

– Em cada sala de sessenta alunos temos dois negros, em média –, relatou.

No entanto, a proposta não teve boa receptividade.

– A universidade não quer nem abrir o debate, quanto mais implementar –, disse.

Julio Vitor disse que o grupo de estudantes negros chegou a se reunir com a reitoria, mas as propostas do coletivo não foram adiante.

A UFRJ, que tem 70% dos alunos oriundos de escolas particulares, informou que faz um debate interno sobre as cotas, mas de forma "lenta". Isso acontece pela divergência entre os professores. Por isso, a reitoria prefere não se pronunciar, alegando que pode "induzir opiniões".

O tratamento dispensado à questão pela UFRJ é considerado pelo aluno de ciências sociais, Julio Vitor Costa, como "racista". Para ele, que nunca foi discriminado claramente na UFRJ, a discriminação aparece quando a universidade se omite na questão.

– O racismo se dá de maneira ideológica dentro de sala de aula. Só o fato de não lermos nenhum autor negro já se coloca. Temos diversos intelectuais negros, africanos, brasileiros, americanos e eles não são sequer considerados –, completou.

Uerj nega conflitos por diferenças raciais

Embora reconheça a falta de apoio aos cotistas, a reitoria da Uerj avalia que o desempenho acadêmico das turmas continua satisfatório e nega a existência de conflitos por diferenças raciais.

Atualmente, 40% dos alunos da Uerj são cotistas. Participam do programa os alunos negros autodeclarados e aqueles que estudaram em escolas públicas. Para entrar na instituição, além de atingir um número mínimo de pontos no vestibular, eles são selecionados com base no perfil socioeconômico das famílias, que devem receber até R$ 650 por pessoa.

A subsecretária da reitoria da Uerj, Lená Medeiros, afirma que, desde que o programa foi adotado, cerca de mil alunos já se formaram em vários cursos. Ao comentar o desempenho deles, avaliado como positivo, Lená explica que as notas dos cotistas variam de acordo com o curso e a disciplina, mas que as dificuldades entre eles e os demais alunos são as mesmas.

– Um obstáculo grande que nos parece é na questão das engenharias, em que a necessidade do conhecimento de cálculo não é só uma dificuldade para os cotistas, mas para todos os estudantes –, explicou.

– Estamos pensando, para todos, aulas de habilidades básicas –, completou.

Para ajudar os alunos cotistas a permanecerem na universidade, a Uerj oferece uma bolsa de R$ 190 no primeiro ano de faculdade. O valor é considerado baixo pela sub-reitora e, segundo ela, a intenção é aumentá-lo.

– Estamos estudando subir para R$ 250 esse ano. Isso dependerá de negociações com o governo estadual –, disse.

Nos demais anos do curso, os alunos cotistas, de acordo com a área de interesse, passam a integrar programas de pesquisas por meio do qual recebem bolsas.

Em relação a possíveis conflitos étnicos que as cotas poderiam trazer, Lená Medeiros informa que a universidade é um reflexo da sociedade, portanto, podem exis

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