Durante dois anos, uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal investigou a ação de grupos de extermínio no Nordeste. Com base em pesquisas e depoimentos, os deputados chegaram à conclusão que a principal vítima dos matadores organizados são jovens do sexo masculino, com idades entre 15 e 25 anos, pobres e, em geral, responsáveis por pequenos furtos.
- É muito comum os comerciantes de um bairro se juntarem para contratar o grupo de extermínio, que executa as quadrilhas de jovens ladrões da região. Outros alvos preferenciais são os defensores públicos, os radialistas, trabalhadores rurais, sindicalistas, políticos e até mesmo empresários - denuncia o relator da CPI, deputado Luiz Couto (PT-PB). De acordo com ele, os rapazes também são alvo por fazerem parte das organizações criminosas e, ao tentar sair delas, se tornarem arquivos vivos.
Levantamento do Movimento Nacional e Direitos Humanos mostra que entre 2001 e 2002, 1,1 mil pessoas foram executadas nos nove estados do Nordeste. Só na grande Salvador, foram 878 pessoas. Em geral, as vítimas são mortas com tiros em locais vitais, como a cabeça e o peito. Os assassinos deixam marcas sobre as motivações do assassinato. Chegam a enfiar um cadeado na boca das vítimas que denunciaram as atividades do grupo de extermínio.
- Durante as investigações da CPI, muitos ex-matadores foram mortos porque denunciaram as organizações. Eles buscavam proteção policial, do programa de testemunhas, e não conseguiam ajuda. Acabavam sendo mortos - lamenta o deputado Luiz Couto, para quem o governo federal precisar criar um sistema de informações sobre crimes de extermínio para traçar o campo de atuação dos grupos e evitar novas mortes.
De acordo com Couto, em investigações no Ceará, Paraíba e Pernambuco, a CPI descobriu verdadeiras escolas de pistolagem. Nelas, policiais dão aula e treinamento aos matadores e oferecem munição para os criminosos. Mas nem sempre os crimes são com arma de fogo.
Entre 1999 e 2002, a CPI identificou a execução chocante de 32 crianças e 5 adolescentes no município de Timbaúba, em Pernambuco. Elas foram assassinadas em ações conhecidas por "arrastões", que consistiam em arrastar as vítimas da rua ou de sua residência e levá-las a um lugar isolado, ou até mesmo em praça pública, para execuções por carbonização. Até hoje, o crime não foi desvendado.
Negros e pobres são principais alvos do extermínio, aponta CPI
Durante dois anos, uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal investigou a ação de grupos de extermínio no Nordeste. Com base em investigações, os deputados chegaram à conclusão que a principal vítima dos matadores organizados são jovens do sexo masculino, com idades entre 15 e 25 anos, pobres e, em geral, responsáveis por pequenos furtos. (Leia Mais)
Sábado, 26 de Novembro de 2005 às 10:04, por: CdB