Estudo elaborado pela Serasa revelou que o crescimento dos negócios, aliado aos lucros estáveis, viabilizou a realização de maiores investimentos em ativos fixos em 2004. A base do estudo é uma amostra de 1.500 demonstrativos contábeis de empresas brasileiras cadastrados na base de dados da empresa até fevereiro último.
Para a elaboração do estudo foram utilizados demonstrativos tanto de empresas de capital aberto como de capital fechado, de grande, médio e pequenos portes, dos três setores da economia, indústria, comércio e serviços, com uma amostra de 500 demonstrativos de cada um. Passadas as incertezas do período eleitoral (final de 2002), a economia brasileira começou a apresentar sinais de melhora, que vem se estendendo até os dias atuais. Nesse contexto, as empresas do estudo, cujo faturamento de 2003 já havia evoluído 2,1% em relação a 2002, apresentaram evolução em 2004 da ordem de 8,2% em relação a 2003, motivada pela ampliação dos negócios no ano.
A rentabilidade que se manteve estável, em torno de 9,5% em 2003 e 2004, apresentou crescimento, se amparada a 2002, quando o câmbio elevado e os juros altos comprometeram os resultados. Mesmo com o endividamento em queda, o volume de investimentos em ativos fixos, tais como máquinas, equipamentos, novas tecnologias e automação, passou a representar 5,3% do faturamento de 2004, ante 3,2% em 2003, apresentando crescimento de 80% em 2004.
Quando analisados isoladamente, cada um dos setores apresentou desempenho distinto. O comércio é o segmento que apresentou o maior crescimento no faturamento em função da realização de mais negócios no último período, sendo que a evolução do faturamento, que apresentou queda de 0,8% em 2003 sobre 2002, teve um crescimento de 9,7% em 2004 sobre 2003. Este desempenho está fortemente influenciado pelos segmentos de produtos alimentícios e bebidas, que foram beneficiados pela melhora no nível de emprego, principalmente a partir do segundo semestre do ano, fato que também influenciou o comércio de veículos e peças, cuja evolução das vendas contou ainda com a maior disponibilidade de crédito e lançamento dos modelos bicombustível.
Mesmo com a melhora no nível de emprego, a renda ainda continuou comprimida e, dessa forma, a margem obtida não apresentou incremento significativo, visto que o comércio não teve espaço para expansão de preços. O comércio foi o segmento que apresentou o menor volume investido, em média 1,3% em relação ao faturamento nestes dois últimos anos, tendo queda de 1% no volume investido em 2004 contra o investido em 2003.
A indústria foi o único segmento da amostra que experimentou crescimento de faturamento de 9% em 2004, contra 4,6% em 2003, e ainda obteve a maior rentabilidade, passando de 7,2%, em 2002, para 11,4%, em média, nos dois últimos anos. Com uma geração de lucro 58% superior, foi possível proporcionar uma redução significativa no endividamento, passando de 140% do patrimônio líquido, e