Negócios com sorvetes artesanais estão mais doces do que nunca
Os negócios nunca estiveram tão doces para aqueles que trabalham com sorvetes artesanais do tipo gelato. Apesar do recente aperto de crédito, o setor cresceu continuamente.
Sábado, 05 de Fevereiro de 2011 às 11:35, por: CdB
Os negócios nunca estiveram tão doces para aqueles que trabalham com sorvetes artesanais do tipo gelato. Apesar do recente aperto de crédito, o setor cresceu continuamente. Um país se beneficiou em particular desse boom: a Itália, maior fornecedor mundial de equipamentos e ingredientes, com um volume anual de vendas de 3,5 bilhões de euros.
O gelato artesanal sempre foi um sucesso no mercado doméstico. Todos os anos, os italianos consomem cerca de 360 mil toneladas – quase seis quilos por pessoa – em grande parte graças aos preços acessíveis.
Mais saudável, gostoso e natural
Enquanto no país de origem gelato é simplesmente a palavra italiana para sorvete, fora de lá, o termo denota um produto fresco feito diariamente, com textura cremosa e bem menos gordura do que a versão produzida industrialmente. E agora o fato de ser visto por muitos consumidores como uma alternativa mais saudável, mais saborosa e mais natural fez com que a popularidade do gelato aumentasse no mundo todo.
A Sigep, mostra internacional de gelato artesanal que acontece anualmente na cidade costeira italiana de Rimini, registrou um público recorde de mais de 100 mil visitantes neste ano. Além disso, o número de estrangeiros perfez quase um quinto dos visitantes do evento de cinco dias.
Segundo Sergio Dondoli, premiado fabricante de sorvetes e divulgador do gelato italiano, sorveterias artesanais estão se espalhando por todo o mundo. Dondoli, que também possui uma firma de consultoria empresarial, está sendo bastante procurado.
No passado, o interesse estrangeiro provinha principalmente da Alemanha, mas hoje os serviços de Dondoli são requisitados em todos os continentes. "África, América do Sul, China... todos os lugares", disse o sorveteiro à Deutsche Welle. "É incrível e é bom para os negócios do gelato".
E enquanto as sorveterias fora da Itália costumavam ser gerenciadas por italianos emigrados, a tendência é claramente na direção de um maior número de não-italianos abrirem seus próprios negócios de sorvete artesanal.
Doce paladar
A mudança também se reflete no número de estrangeiros interessados em aprender diretamente de profissionais italianos os segredos do negócio. O grupo Carpigiani, um dos principais fabricantes de máquinas de sorvete, é responsável pela "Gelato University", com sede em Bologna. A instituição vivencia um grande aumento de candidaturas, sobretudo de estrangeiros, que compõem a metade dos alunos da escola.
– Existe uma relação entre a crise econômica de alguns anos atrás e o enorme aumento de inscrições nos cursos. Quando se pergunta por que estão aqui, eles dizem: 'Perdi meu emprego, por isso quero um trabalho que ninguém possa me tirar' – afirma o diretor Andrea Cocchi.
Muitos dos aspirantes a sorveteiro profissional vêm da China, onde o interesse pelo gelato está crescendo. Embora os italianos tenham paladar bem mais doce, eles mostram como se faz o produto básico, que os chineses podem adaptar às suas receitas – desde o chá verde e a fruta lichia até o feijão azuki.
– Queremos expandir para mercados estrangeiros, principalmente na Ásia, porque ali está o futuro. Eles andam mais rápido. E querem mais coisas. Nesse ponto, nós nos tornamos o velho continente – disse Gian Maria Emendatori, diretor da Mec3, importante fornecedor italiano de ingredientes para gelato e operador de franquias para sorveterias em todo o mundo.
A Ásia é um mercado particularmente especial para a indústria italiana de sorvete artesanal, declarou Emendatori à Deutsche Welle, explicando que "a região está sequiosa de novos gêneros alimentícios, novos produtos, especialmente sobremesas", e "tem uma grande tradição de comida picante, mas não de sobremesas".
Origens chinesas
Além de fornecer para restaurantes e hotéis, mais de 60 sorveterias Mec3 franqueadas se instalarão na China neste ano, acompanhando a abertura de um escritório em Xangai. "A China não é o maior mercado de gelato", observa Emendatori, "mas é o maior em termos de crescimento, já que há cinco anos nada existia".
A companhia Carpigiani também vê um grande potencial na China. Como a Mec3, ela mantém escritório em Xangai, onde oferece cursos para empresários que queiram abrir sua própria sorveteria.
– Tentamos fazer com que eles entendam o que é um gelato, que tipo de negócios podem vir a ter, e lentamente, passo a passo, estão surgindo os clientes. Trata-se ainda de um mercado pequeno, mas de grande potencial – relata Cocchi.
Por ironia do destino, acredita-se que o sorvete surgiu na antiga China, onde era servido aos imperadores, tendo sido posteriormente levado a Itália por Marco Polo, ao retornar de sua visita ao Império do Meio.
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