Potências comerciais reunidas nesta quinta-feira, em Paris, tentam manter as chances de sucesso da chamada Rodada Doha das negociações comerciais globais. Um acordo, a essa altura da crise global de alimentos e no meio ambiente, ajudaria a recompor o panorama econômico mundial. O encontro reúne autoridades dos Estados Unidos, União Européia, Índia, Brasil, representado pelo ministro Celso Amorim, Japão e de outros países da Organização Mundial do Comércio.
Segundo analistas, a Rodada Doha ficará politicamente inviável se não for resolvida nas próximas semanas, devido aos calendários eleitorais dos EUA, da Índia e da posse de uma nova direção da União Européia.
– Temos de resolver essas negociações, resolver as cifras e garantir que estamos trabalhando para que ocorra uma (reunião) ministerial nas próximas semanas – disse o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, à agência inglesa de notícias Reuters, na chegada para a reunião.
Iniciada há sete anos, a Rodada Doha ainda busca a redução das barreiras comerciais no mundo, mas encontra obstáculos robustos nas diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, especialmente acerca das tarifas e subsídios agrícolas.
Nesta segunda-feira, um dos mediadores do encontro retirou as propostas que tentavam conciliar as posições divergentes a respeito do comércio de bens industriais, outro ponto importante da Rodada Doha. Mas os defensores do acordo, no entanto, dizem que o momento é fundamental para que o acordo seja concluído de forma positiva, pois a liberalização comercial poderia contrabalançar a alta mundial nos preços dos alimentos, que ameaça aumentar o número de famintos do planeta para quase 1 bilhão de pessoas e gerar áreas de conflito por todo o planeta.
– Ao cortar tarifas de importação agrícola e disciplinar a forma como os países ricos usam subsídios, as nações em desenvolvimento serão incentivadas a produzir bens agrícolas e competir em termos mais justos – disse aos jornalistas a negociadora comercial mexicana, Beatriz Leycegui Gardoqui.
Ao longo dos últimos meses, o aumento nos preços do milho – devido à produção do etanol nos EUA – tem causado uma série de protestos no México devido à alta da tortilla. A inflação naquele país, devido à elevação no preço dos alimentos, é a maior dos últimos três anos.