As negociações de seis participantes visando neutralizar a crise nuclear norte-coreana parecia chegar a um impasse, neste sábado, com a exigência de Pyongyang de seu direito ao uso pacífico de sua capacidade nuclear como ponto crucial.
Com o diálogo sem avanços claros após quase 12 dias, a anfitriã China sugeriu, neste sábado, um recesso, segundo a rádio estatal chinesa. Mas Christopher Hill, delegado-chefe dos EUA, se opôs.
Os participantes das negociações, que também incluem Coréia do Sul, Japão e Rússia, esforçam-se para conseguir, na melhor das hipóteses, uma declaração conjunta que garantiria o desmantelamento dos programas nucleares da Coréia do Norte em troca de fornecimento de energia e garantias de segurança.
O diálogo parece atolado por conta da insistência da Coréia do Norte em poder manter seus programas para gerar eletricidade. Washington exige um desmantelamento total e verificável de todos os seus programas nucleares.
Para eliminar as diferenças, Washington propôs à Coréia do Norte o direito de manter atividades nucleares pacíficas se concordar com as rígidas normas do tratado de não-proliferação nuclear (NPT), segundo uma fonte diplomática. Pyongyang rejeitou a oferta por causa das limitações que o tratado implica.
Membros do governo americano não confirmam a oferta, que significaria um abrandamento da posição dos EUA.
O delegado-chefe dos EUA parecia na manhã de sábado disposto a manter as negociações pelo tempo que fosse necessário. Segundo a mídia sul-coreana, ele lembrou aos outros delegados em Pequim que as negociações de paz para a Bósnia em 1995 em Dayton (Ohio) duraram 21 dias.
Esta é a quarta rodada de um processo que já leva quase três anos, durante o qual a Coréia do Norte e os EUA trocaram farpas e tiveram pouco contato direto.
O fracasso em chegar a alguma forma aceitável de resolução em Pequim poderia fazer com que os EUA levem a questão para as Nações Unidas, uma medida rejeitada pela China pelo temor de que a crise poderia se agravar e levar à instabilidade na região.
Pyongyang diz que qualquer tentativa de golpear o país com sanções da ONU significaria uma declaração de guerra.
A Coréia do Norte declarou em fevereiro que havia construído armas nucleares, dizendo ter tomado a medida para impedir o que chamou de hostilidade dos EUA. Especialistas em inteligência estimam que o país tem um estoque de plutônio suficiente para nove armas nucleares.
Em Pequim, a Coréia do Norte declarou-se comprometida à desnuclearização da península da Coréia, exceto para o uso com fins pacíficos.
O país também exige ajuda de energia, garantias de segurança dos EUA e reconhecimento diplomático em troca do fim do desenvolvimento de armas nucleares. Washington insiste no fim de todos os programas.
Os EUA confrontaram Pyongyang no fim de 2002 com evidências de que o país estava violando o protocolo internacional ao buscar um programa secreto de enriquecimento de urânio para armas além de seu antigo projeto de reprocessamento de plutônio em Yongbyon, próximo à capital.
A Coréia do Norte respondeu expulsando inspetores de armas da ONU, abandonando o tratado de não proliferação, rompendo as fechaduras instaladas em Yongbyon e reativando o reator instalado no local.
Em fevereiro o país aumentou mais uma vez as apostas ao declarar que havia se tornado uma força nuclear.