A delegação líbia que negocia em Paris a indenização para as famílias das vítimas do atentado do DC-10 da empresa aérea UTA em 1989, que deixou 170 mortos, 54 deles franceses, suspendeu ontem à noite as negociações com seus interlocutores.
O motivo da suspensão, dado pela delegação líbia, liderada pelo diretor da Fundação Kadafi, Abdel Salam, e composta por outras três pessoas, é a negação da França de reconhecer que existe um acordo 'secreto' com a Líbia. O porta-voz do Ministério francês de Relações Exteriores, Hervé Ladsous, contradisse hoje Seif el-Islã Kadafi, filho do presidente líbio, que afirmou que existe um acordo 'secreto' que data de 11 de setembro.
O filho de Kadafi também disse que o acordo consta de seis pontos, que serão revelados 'no momento que julgarmos oportuno'.
- Não existe nenhum acordo secreto de nenhum tipo nem de nenhuma natureza - declarou na última terça-feira Ladsous, após lembrar que as autoridades francesas 'sempre consideraram que este assunto tinha que ser solucionado com total transparência'.
Na noite de terça-feira existia confusão sobre se a delegação líbia pensa em prosseguir desta quarta-feira com as negociações ou as suspenderá de forma definitiva e regressa para seu país, segundo Guillaume Denoix de Saint-Marc, um dos seis representantes das famílias das vítimas que estiveram presentes no encontro.
As propostas colocadas hoje sobre a mesa continuam sendo 'insuficientes', disse, por sua parte, a presidente da SOS-Attentats, Françoise Rudetzki, que também participou das negociações e mostrou sua disposição de voltar amanhã às mesmas.
O atentado contra um avião DC-10 da empresa aérea UTA quando sobrevoava o deserto de Níger causou a morte de 170 pessoas de 17 nacionalidades, das quais 54 eram francesas. As negociações desta terça-feira, realizadas em um local secreto de Paris ou de suas proximidades, tinham que estabilizar-se na quantia das indenizações e no prazo de pagamento das mesmas, segundo Denoix de Saint-Marc.
As negociações foram retomadas dois dias depois do toque de atenção dado pelo presidente francês, Jacques Chirac, que afirmou que se os compromissos assumidos por seu colega líbio, o coronel Muamar Kadafi, não fossem respeitados, a Líbia sofreria as conseqüências, sem agressividade mas sem fraqueza.
O filho do coronel Kadafi afirmou para a imprensa que o acordo assinado em 11 de setembro passado 'prevê o pagamento máximo de um milhão de dólares por vítima e os franceses o aceitam'.
A indenização traz à memória dos envolvidos os quatro milhões de dólares obtidos pelas famílias dos 270 mortos no atentado contra o avião da empresa americana PanAm, que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie em 1988.
A famílias das vítimas qualificaram esta recompensa de inaceitável e afirmam que o pré-acordo de 11 de setembro, que permitiu levantar as sanções internacionais contra a Líbia, só estabelecia um prazo máximo de um mês para encerrar as negociações sobre as indenizações.
Negociações entre Líbia e França estão suspensas
Terça, 14 de Outubro de 2003 às 23:53, por: CdB