As delegações estão hospedadas no Hotel Montreux, um dos mais tradicionais da Suíça
As negociações internacionais de paz para tratar da guerra civil de quase três anos na Síria começaram tensas em Montreux, perto de Genebra, nesta quarta-feira, com um discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Estão presentes à conferência delegações do governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, e de grupos da oposição síria exilada, além da ONU, Estados Unidos e Rússia.
O primeiro recado aos participantes partiu do ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem. Ele disse nesta quarta-feira que somente o povo sírio pode decidir o destino do presidente Bashar al-Assad, em resposta às pressões do Ocidente. Moualem, em um longo discurso no início de uma conferência internacional em Montreux, na Suíça, também pediu a potências internacionais que parem de "apoiar o terrorismo" e removam as sanções contra Damasco.
– Nós viemos como representantes do povo e Estado sírios e todos devem saber que ninguém neste mundo tem o direito de retirar a legitimidade de um presidente ou governo... que não os próprios sírios – afirmou.
Sem Bashar
Pouco antes, al-Moualem havia ouvido do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que o presidente sírio, Bashar al-Assad, não pode ter qualquer participação em um governo de transição porque "perdeu a legitimidade para governar". Kerry pronunciou-se na abertura da conferência e disse que a reunião na gelada Montreux é um teste para a comunidade internacional encontrar uma solução para o conflito na Síria.
– Vemos apenas uma opção, negociar um governo de transição nascido por mútuo consenso. Isso significa que Bashar al-Assad não será parte do governo de transição. Não há maneira, nenhuma maneira possível, para que um homem que tem liderado uma resposta brutal contra seu próprio povo possa recuperar a legitimidade para governar – afirmou.
As negociações internacionais de paz começaram com um discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Equilíbrio
O chanceler russo, Sergei Lavrov, seguiu uma linha mais equilibrada do que seu colega norte-americano e disse que o principal objetivo da conferência de paz da Síria é "alcançar um fim para o conflito trágico" e impedir uma disseminação para outros países da região. Lavrov afirmou, em sua declaração inicial, que "agentes externos" não devem se intrometer nas questões internas da Síria. Ele disse que a oposição política interna deve ser parte do diálogo nacional sírio, e que o Irã, que não faz parte da conferência de paz, deve ser parte do diálogo internacional.
Já o papa Francisco fez um apelo aos participantes da conferência de paz realizada na Suíça para que cheguem urgentemente a um acordo para encerrar a guerra civil na Síria, que já deixou mais de 100 mil mortos. O governo sírio e seus inimigos precisam "não poupar esforços para alcançar urgentemente um fim à violência e acabar com o conflito, que já causou tanto sofrimento", disse Francisco a peregrinos durante audiência semanal na Praça de São Pedro.
– Desejo à querida nação síria um caminho decisivo para a reconciliação, harmonia e reconstrução, com a participação de todos os cidadãos, onde todos possam encontrar no próximo um companheiro e não um inimigo, não um adversário, mas um irmão para aceitar e abraçar – afirmou.
Uma delegação de prelados do Vaticano está presente às negociações mediadas pela ONU na cidade suíça de Montreux. A Santa Sé já fez diversos pedidos por um fim do conflito que dura mais de três anos.
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