Atencipando a um possível resgate dos títulos da dívida externa brasileira, A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) suspendeu as negociações com os contratos de C-Bonds futuros. Após atingir o seu valor integral pela primeira vez em dez anos, data do lançamento do título, os C-Bonds estão sendo negociados nesta manhã com 100,62% do seu valor de face.
O estrategista para a América Latina do banco ING, Mauro Schneider, atribui o bom desempenho dos títulos brasileiros ao apetite global por papéis com rendimento mais elevado do que os " medíocres " retornos oferecidos por títulos americanos ou europeus. O risco médio dos emergentes, por exemplo, caiu ontem mais 1,55%, para 382 pontos.
- A percepção é de que os juros americanos vão continuar baixos por um prazo razoável -afirmou ele.
Para Schneider, os números surpreendentes da balança comercial e a decisão do BC de comprar dólares no mercado para recompor as reservas também melhoraram a percepção de risco Brasil, por indicar a perspectiva de uma situação mais sólida do país.
O estrategista do Banco UBS, Marcelo Mesquita, também vê a ampla liquidez internacional como o principal motivo para a disparada dos títulos brasileiros. Nesse cenário, os investidores têm deixado em segundo plano fatores que normalmente azedariam o humor do mercado.
É o caso, por exemplo, da substituição de Luiz Guilherme Schymura por Pedro Jaime Ziller na presidência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas, para Mesquita, a queda do risco para níveis mais civilizados se deve também à consolidação da percepção de que o Brasil nem " de longe " cogita dar calote em sua dívida.
O fato de o C-Bond ter superado 100% do valor de face não tem nenhuma conseqüência imediata. A opção do Tesouro de recomprar o papel por esse preço só pode ser exercida em 15 de abril ou 15 de outubro, quando há pagamento de juros. E, se realmente quiser exercê-la, o governo tem que avisar ao mercado com no mínimo 30 e no máximo 60 dias de antecedência.
Segundo analistas, a possibilidade de recompra do C-Bond pelo Tesouro pode limitar o espaço para a alta do título nas próximas semanas. Se o preço bater em 105% do valor de face e o governo resolver adquirir os títulos por 100%, o investidor que detém o papel perderia dinheiro.
O mercado cogita agora se o governo fará uma emissão soberana para captar recursos novos - e com isso engordar as reservas - ou se vai optar por uma troca dos C-Bonds e outros papeís da dívida renegociada em 1994 por bônus globais. Ontem, os principais rumores davam conta de uma operação que não envolveria a troca de título
A aposta, de qualquer maneira, é que uma captação soberana deverá acontecer em breve. Essa expectativa aumentou depois que países como México, Turquia e Venezuela emitiram bônus no exterior, em operações bem-sucedidas. Por aqui, enquanto a República não se decide, o setor privado aproveita para captar recursos no exterior. A CSN, por exemplo, conseguiu ontem mais US$ 200 milhões, reabrindo uma emissão concluída em dezembro.
O clima no mercado financeiro segue otimismta. O dólar manté a trajetória de queda após o segundo leilão de compra de moeda norte-americana pelo BC. Segundo operadores, o BC comprou dólares a R$ 2,844. Neste momento a moeda recua 0,21% e é cotadda a R$ 2,842 para venda. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com avanço de 0,66%.