Uma nova rodada de negociações multilaterais sobre o programa de armas nucleares da Coréia do Norte foi marcada para 26 de julho em Pequim, disseram China e Coréia do Sul nesta terça-feira. O regime comunista norte-coreano passou mais de um ano boicotando os encontros.
Não há data prevista para o final da nova rodada, que envolve as duas Coréias, Estados Unidos, China, Japão e Rússia, o que é um sinal de que ela pode durar além dos quatro dias das rodadas anteriores, algo que Seul e Washington queriam para aumentar as chances de progressos.
Para atrair o Norte de volta à mesa, Seul ofereceu eletricidade em volume quase igual à sua própria produção, desde que o vizinho desmantele seu programa de armas nucleares.
- Nosso governo mais uma vez dá crédito aos esforços dos países participantes para retomarem as negociações, e teremos um papel ativo em fazer progressos substanciais para resolver a questão nuclear norte-coreana nesta rodada das negociações - disse nota da chancelaria sul-coreana.
A atual crise nuclear na região surgiu em outubro de 2002, quando autoridades dos EUA disseram que a Coréia do Norte tinha admitido a existência de um programa secreto de enriquecimento de urânio, processo que pode gerar material para armas atômicas. Na época, a Coréia do Norte negou, mas desde então disse várias vezes ter construído armas à base de plutônio.
O regime comunista passou mais de um ano longe das negociações por considerar "hostil" a postura norte-americana.
Piao Jianyi, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse estar esperançoso de que esta rodada leve a avanços e facilite o diálogo futuro.
- Mas não se pode esperar resolver todos os problemas em uma rodada de negociações. O que eu espero? Espero que esta rodada possa estabelecer uma base e um marco para que no futuro, em próximas rodadas, possamos continuar avançando - disse ele.
Um jornal norte-coreano, citado na segunda-feira pela agência estatal de notícias KCNA, disse que, para obterem progressos à mesa, Washington e Pyongyang devem "construir um relacionamento de confiança e uma vontade de mútuo respeito e coexistência".
Analistas prevêem que haverá pouca tolerância a táticas norte-coreanas que as potências considerem protelatórias.
O chefe de gabinete do governo japonês, Hiroyuki Hosoda, disse que o Japão quer ver progressos não só na questão nuclear, mas também a respeito dos cidadãos japoneses sequestrados nas décadas de 1970 e 1980 por agentes norte-coreanos para treinarem espiões.
- Acho importante que o conteúdo das conversas leve a perspectivas firmes na questão nuclear e, para o nosso país, à questão dos sequestros - disse ele em entrevista coletiva.
O tema provoca comoção no Japão e é um importante obstáculo ao estabelecimento de relações diplomáticas entre Tóquio e Pyongyang.