O necrotério de Bagdá recebeu quase 2 mil corpos, em julho, disse uma autoridade nesta quarta-feira, registrando o maior número de vítimas da violência em um mês desde fevereiro, quando um ataque a uma mesquita xiita provocou uma onda de conflitos sectários no país árabe.
O médico Abdul Razzaq al-Obaidi, um dos responsáveis pelo necrotério, disse que 90 % das mortes são decorrentes da violência na capital iraquiana, onde as forças dos Estados Unidos e do Iraque reforçaram suas tropas para combater os ataques.
- A maioria dos corpos tem ferimentos de bala na cabeça. Alguns foram estrangulados e outros espancados até a morte com cassetetes - disse Obaidi.
O total de corpos no necrotério aumentou bastante - em junho, deram entrada no local 1.595 corpos - e trata-se do maior número de mortos desde o bombardeio à Mesquita Dourada de Samarra, ação cuja autoria os norte-americanos atribuem à Al Qaeda.
Os ministérios da Saúde, Interior e Defesa do Iraque costumam divulgar números mais baixos que os apresentados pelo necrotério. Os números oficiais dizem que cerca de mil civis morreram no Iraque em julho em ataques "terroristas", no mais alto índice de vítimas civis em seis meses. Cerca de 1.820 iraquianos ficaram feridos.
O aumento da violência entre xiitas e sunitas no país alimenta temores de guerra civil. Cerca de 6 mil soldados adicionais iraquianos e 3.500 norte-americanos estão sendo posicionados na região de Bagdá e devem começar a fazer varreduras sistemáticas nos bairros mais afetados pelos choques intercomunitários.
O Exército dos EUA disse que, na primeira fase da operação, lançada em 9 de julho, 411 homicidas associados a esquadrões da morte foram presos ou mortos. Isso não bastou para acabar com a violência.
O primeiro-ministro Nuri al-Maliki prometeu confrontar as milícias armadas, mas precisa agir com cautela, já que parte desses grupos xiitas estão ligados a partidos que integram sua coalizão de governo. Maliki disse que importantes líderes religiosos e tribais estão chegando a um consenso para condenar as mortes. Apesar disso, as notícias diárias de violência continuam.
Cinco civis morreram e outros 20 ficaram feridos num ataque com foguete em Baquba, ao norte de Bagdá, que derrubou um edifício de três andares próximo a uma mesquita, segundo a polícia. Testemunhas diziam acreditar que ainda havia pessoas presas sob os escombros.
A polícia disse ainda que uma bomba contra uma patrulha dos EUA na parte leste de Bagdá matou um civil e feriu outro, enquanto em Basra um coronel do Exército iraquiano foi morto a tiros quando se dirigia ao trabalho. Dois ataques com bombas à beira da estrada em Kirkuk mataram um civil, feriram outro e deixaram também três soldados iraquianos feridos.
O Exército norte-americano disse que dois militares estavam desaparecidos após a queda de um helicóptero na província de Anbar. Os oficiais dizem que o helicóptero caiu na terça-feira com seis pessoas a bordo. Os outros quatro sobreviveram e estavam em condição estável. O Exército diz que o acidente não foi provocado por fogo inimigo.
Dois outros soldados dos EUA, Kristian Menchaca e Thomas Tucker, sequestrados ao sul de Bagdá em junho, foram encontrados mortos e mutilados vários dias depois.