Agora vai. Após uma série de adiamentos, o lançamento da nave russa Soyuz TMA-8, que levará ao espaço o primeiro astronauta brasileiro, o tenente-coronel Marcos Pontes, está marcado para a próxima quarta-feira, às 23h29, horário de Brasília. O vôo partirá da base de Baikonur, localizada no Cazaquistão. Em entrevista nesta quinta, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Sergio Gaudenzi, destacou que a Missão Centenário - nome da viagem espacial - impulsionará o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.
Gaudenzi disse que a viagem de Marcos Pontes representa a possibilidade de aproximar o Programa Espacial Brasileiro da população, tornando-o mais conhecido. Segundo ele, o Brasil faz parte de um grupo restrito de países que possuem programas espaciais completos, o que significa ter um centro de lançamentos, um veículo lançador e satélites.
- O programa espacial brasileiro, com os altos e baixos, tem prosseguido e tem que prosseguir - avaliou.
Além de Marcos Pontes, outros dois astronautas, o norte-americano Jeffrey Williams e o russo Pavel Vinogradov, integram a tribulação que viajará à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). A previsão é que o brasileiro permaneça oito dias na estação espacial. Já o russo e o norte-americano deverão ficar no espaço durante seis meses.
Novo astronauta
A Agência Espacial Brasileira (AEB) aguarda a definição sobre a continuidade do programa Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) para decidir se abrirá concurso para a seleção de astronautas no Brasil. Gaudenzi disse que os Estados Unidos e a União Européia têm dúvidas sobre os custos e os benefícios de se manter a estação. A ISS é um projeto científico desenvolvido por 16 países: Rússia, Japão, Canadá, França, Alemanha, Itália, Suíça, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Noruega, Holanda, Espanha, Brasil e os Estados Unidos.
- A estação é um projeto caro - diz Gaudenzi.
Segundo ele, os Estados Unidos e os países da União Européia arcam com a maior parte dos gastos do projeto. O Brasil também contribui, mas com uma parcela minoritária.
- A França e a Alemanha começam a questionar se não poderia ter outra forma de fazer esses experimentos sem a estação, até porque eles acham que a estação está muito próxima da Terra, cerca de 400 quilômetros, não seria nem um ponto intermediário para uma ida à Lua, por exemplo - explicou o presidente da Agência Espacial Brasileira.
O tenente-coronel Marcos Pontes, primeiro brasileiro escolhido viajar à Estação Espacial Internacional, foi selecionado pela AEB para ser astronauta por meio de concurso público, realizado há cerca de oito anos. Atualmente, é o único astronauta brasileiro treinado pelo governo e com viagem espacial prevista para o final do mês, em uma nave russa.
O presidente da agência afirmou que, se o programa prosseguir, a agência selecionará outros astronautas:
- Mas, como somos sócios minoritários, estamos aguardando o rumo que a estação tomará. Ela poderá ser transformada em outro projeto e, nesse caso, teremos que ir para outra direção.